
Cultura: Orquestra Ouro Preto e Carlinhos Brown lançam álbum inédito “Afrossinfonicidade”
A música erudita e a cultura popular brasileira ganharam um capítulo histórico com o objetivo de celebrar a diversidade rítmica do país. A Orquestra Ouro Preto (OOP) uniu suas cordas ao talento do cantor e compositor Carlinhos Brown para conceber o álbum duplo Afrossinfonicidade. O público já pode escutar o primeiro volume nas plataformas digitais, ao passo que o segundo volume chegará ao ambiente virtual no dia 26 de junho, consolidando, portanto, essa parceria inédita.
O Encontro Afro-Sinfônico e a Força do Candeal
O maestro Rodrigo Toffolo define o projeto como um encontro afro-sinfônico legítimo, visto que a linguagem clássica se funde diretamente à percussão dos músicos da comunidade do Candeal Pequeno de Brotas. Foi nesse bairro de Salvador, afinal, que Brown fundou o grupo Timbalada. Dessa maneira, quando esses percussionistas se juntam à orquestra, eles estruturam uma base rítmica poderosa que se integra perfeitamente às harmonias orquestrais.
O conceito do nome, gravado ao vivo na Concha Acústica de Salvador, partiu do próprio Carlinhos Brown. De acordo com Toffolo, a palavra representa um neologismo para expressar as sinfonias das cidades e a ancestralidade que une todos os brasileiros. Nesse sentido, o maestro relembra que a história costuma apagar o fato de que muitos povos escravizados que vieram da África eram, com efeito, grandes arquitetos e músicos extraordinários.
Trinta Anos de “Alfagamabetizado” e Parcerias de Peso
A base desse repertório inédito nasceu do disco Alfagamabetizado, obra icônica de Carlinhos Brown que completa 30 anos atualmente. Dessa forma, o músico considera o novo álbum como o melhor presente possível para a sua carreira. A canção Frases Ventias, por exemplo, começou na década de 1990, mas os artistas só a finalizaram agora com os arranjos e a letra que a Orquestra Ouro Preto ajudou a estruturar.
Volume 1: Foca no Brown cancioneiro e traz clássicos como Segue o Seco, Argila e Magamalabares.
Volume 2: Destaca as composições de Brown que ganharam fama na voz de outros artistas, incluindo parcerias célebres com Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Nando Reis.
Grandes Sucessos: O público identificará canções inesquecíveis do cancioneiro nacional, tais como Velha Infância, Amor I Love You e Já Sei Namorar.
Vale ressaltar ainda que o compositor enxerga o barroco mineiro e o baiano como fontes interligadas. Consequentemente, para Brown, a percussão representa a terra, enquanto o violino simboliza o céu, permitindo que o canto passeie livremente entre esses dois universos.
Receptividade do Público e Planos para o Futuro
Antes de registrarem o repertório em Salvador, os músicos atraíram multidões em apresentações de rua na Avenida Paulista, em Copacabana e na Praça da UFOP. De igual modo, os concertos em Belo Horizonte lotaram completamente a Praça da Liberdade. Brown elogiou o público mineiro, afirmando, assim sendo, que o estado consome arte sem preconceitos, demonstrando um ouvido apurado para o pagode, o sertanejo e a música sinfônica.
Em suma, essa união de 12 anos de convivência e afinidade artística não deve parar por aqui. Os artistas revelaram que este álbum funciona apenas como um ensaio para um plano ainda maior: a criação de uma ópera inédita escrita do zero. Logo, assim que Brown finalizar seu próximo disco solo, os dois pretendem se reunir novamente para compor essa obra teatral, expandindo, por sua vez, as fronteiras da música brasileira.












