
Segurança Pública: Crimes virtuais contra mulheres crescem mais de 1.300% em uma década no Rio de Janeiro
Os crimes de violência psicológica e moral praticados pela internet contra mulheres cresceram mais de 1.300% em uma década no estado do Rio de Janeiro. Dessa maneira, o Instituto de Segurança Pública (ISP) revelou, por meio do Dossiê Mulher 2026 divulgado nesta quarta-feira (1º), que em média 16 meninas e mulheres foram atingidas por esse tipo de crime por dia ao longo de 2025. Nesse sentido, o levantamento totalizou 5.970 vítimas digitais, inseridas em um universo alarmante de 159.041 mulheres que sofreram algum tipo de agressão no estado.
A Disseminação do Ódio Digital e o Movimento Redpill
O estudo trouxe dados inéditos sobre a proliferação de discursos de ódio e do chamado movimento redpill nas redes sociais. Portanto, os pesquisadores mapearam como a misoginia se adapta ao ambiente digital para ampliar as diferentes formas de violência de gênero. Dessa forma, grupos de homens utilizam esses espaços virtuais para pregar o domínio masculino e a submissão feminina, atraindo, consequentemente, um público jovem para ideias machistas e retrógradas.
A internet passou a funcionar, além disso, como uma ferramenta para o descumprimento de medidas protetivas de urgência. Com efeito, os agressores cometeram um em cada dez descumprimentos por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e até transferências bancárias via PIX. Assim sendo, os criminosos utilizam as transações financeiras com o objetivo de monitorar, perseguir e manter contato forçado com as vítimas.
Estatísticas de Violência Física e a Atuação das DEAMs
A violência física permaneceu como a segunda forma de violação mais frequente no estado, registrando 43.307 vítimas no decorrer de 2025. Vale ressaltar ainda que as delegacias notificaram uma ocorrência de lesão corporal dolosa a cada 12 minutos. Nesse contexto, os companheiros ou ex-companheiros das vítimas responderam por mais da metade desses registros, concentrando, por sua vez, grande parte das denúncias nas 15 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) fluminenses.
Para coibir esse avanço, o Senado Federal aprovou recentemente um projeto de lei que criminaliza a misoginia no país. Por outro lado, a proposta ainda depende de análise e votação na Câmara dos Deputados para inserir definitivamente o delito entre os crimes de preconceito e discriminação da Lei do Racismo.
O Cenário Alarmente dos Feminicídios e da Violência Sexual
Os crimes de feminicídio ceifaram a vida de 105 mulheres no Rio de Janeiro ao longo do período analisado. Os assassinos cometeram a maior parte dos crimes (83,8%) dentro das próprias residências das vítimas, motivados, principalmente, por conflitos de ciúmes, separação ou discussões banais. Da mesma forma, o dossiê apontou que 67,3% dos autores possuíam antecedentes criminais e quase metade agiu sob o efeito de álcool ou drogas, deixando, como resultado, dezenas de filhos menores de idade órfãos.
A violência sexual atingiu, em suma, 8.681 meninas e mulheres no estado, concentrando a maior parcela das vítimas entre crianças de apenas 13 anos. Afinal, o estupro de vulnerável liderou as estatísticas com 3.415 ocorrências, ocorrendo majoritariamente dentro de casa e envolvendo parentes ou conhecidos. Logo, a consolidação desses dados estatísticos reforça a urgência de políticas públicas integradas que combatam o abuso tanto no ambiente físico quanto nos canais digitais.












