• 23 julho, 2026

Comércio Exterior: Tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e afeta bilhões em exportações

A tarifa adicional de 25% imposta pelo governo norte-americano sobre os produtos brasileiros começou a vigorar nesta quarta-feira (22). Dessa maneira, a medida protecionista atinge diretamente 19% do volume total das vendas do Brasil para o mercado estadunidense. Nesse sentido, os cálculos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Amcham Brasil estimam que o impacto financeiro oscilará entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões.

Setores Atingidos e Concentração Regional das Perdas

As novas alíquotas incidem sobre mais de 2,3 mil itens da pauta exportadora nacional, concentrando-se, por exemplo, nos segmentos de máquinas, equipamentos, eletroeletrônicos, autopeças e calçados. As negociações bilaterais garantiram, portanto, a isenção de cerca de 700 produtos, número que superou a previsão inicial de 615 itens. Com efeito, os Estados Unidos absorvem sozinhos quase um quarto das vendas externas da indústria de máquinas e figuram como o principal destino dos eletroeletrônicos brasileiros.

Os estados de São Paulo e Santa Catarina concentram, além disso, 52% dos prejuízos provocados pelas barreiras tarifárias da Casa Branca. O parque industrial paulista responde por 41,6% do valor financeiro afetado no país. Por outro lado, o cenário catarinense apresenta maior gravidade proporcional, uma vez que a medida atinge 68% de todas as suas remessas comerciais para o território estadunidense.

Justificativas Norte-Americanas e Reação do Governo Brasileiro

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) fundamentou a taxação alegações de práticas comerciais desleais por parte do Brasil. Os negociadores norte-americanos listaram, por sua vez, seis eixos temáticos para impor as sanções:

  • Regulação do sistema de pagamentos Pix e controle de redes sociais;

  • Combate ao desmatamento ilegal;

  • Acesso das empresas americanas ao mercado nacional de etanol;

  • Ações de combate à corrupção;

  • Proteção dos direitos de propriedade intelectual;

  • Acordos comerciais preferenciais com México e Índia.

O Ministério das Relações Exteriores rejeitou integralmente as alegações da Casa Branca e classificou a medida como retaliação política. O chanceler Mauro Vieira declarou, assim sendo, que os representantes de Washington exigiam a abertura irrestrita dos mercados brasileiros sem oferecer nenhuma contrapartida comercial.

Medidas de Apoio e Diversificação de Mercados

O governo federal anunciou um pacote emergencial de socorro para proteger as empresas atingidas pelo tarifaço. As ações incluem, dessa forma, a liberação de linhas de crédito para capital de giro, auxílio logístico para o escoamento de safras e a flexibilização do regime de drawback para insumos importados. Consequentemente, os exportadores receberão suporte para reorientar suas vendas rumo a novos parceiros internacionais.

A Apex-Brasil lançará, em suma, um plano estratégico de R$ 130 milhões para prospectar compradores na União Europeia, no Sudeste Asiático e na Ásia Central. Logo, a diplomacia comercial aposta na diversificação de mercados para neutralizar os impactos das restrições tarifárias e assegurar a estabilidade da balança comercial brasileira nos próximos anos.

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