• 05 março, 2026

Alergia ao leite em bebês: Especialista alerta para sinais que vão muito além de uma simples cólica

Muitos pais confundem APLV com Intolerância à Lactose, mas as diferenças são vitais. O pediatra e alergista Dr. Adolfo Adami explica como identificar os sintomas e o caminho para o diagnóstico seguro.

Para uma família com um recém-nascido em casa, poucos sons são tão angustiantes quanto o choro de dor do bebê. Quando o mal-estar parece vir do leite, a dúvida é imediata: “Será intolerância à lactose?”. No entanto, na primeira infância, o diagnóstico mais comum e perigoso é outro: a APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca).

Embora o vilão pareça o mesmo, o Dr. Adolfo Adami, especialista em Pediatria e Alergia e Imunologia em Campo Grande/MS, esclarece que os mecanismos são opostos. “A intolerância à lactose é uma questão genética e digestiva que raramente aparece nos primeiros anos. Já a APLV é uma reação do sistema de defesa e pode surgir logo nos primeiros meses de vida”, explica.

O “Raio-X” dos Sintomas: O que observar?

A confusão acontece porque ambas as condições podem causar gases e cólicas. Mas a APLV deixa rastros mais específicos que os pais precisam monitorar:

  • Sinais Imediatos (em até 2 horas): Manchas vermelhas na pele (urticária), inchaço nos lábios ou pálpebras e, em casos graves, dificuldade para respirar.

  • Sinais Tardios e Digestivos: É aqui que mora o perigo. Refluxo que não melhora com remédios, assaduras persistentes e o sinal mais alarmante: sangramento nas fezes.

Diferente da alergia, a Intolerância à Lactose costuma se restringir ao sistema digestivo, causando distensão abdominal e fezes amolecidas ou ressecadas, sem as reações de pele ou inflamações intestinais graves da APLV.

O Diagnóstico: Por que o “Google” não substitui o especialista?

Muitas famílias, por desespero, retiram o leite da dieta por conta própria. O Dr. Adolfo alerta que isso pode atrapalhar o diagnóstico real.

O processo médico é criterioso e depende do tipo de reação:

  1. Testes de Alergia: Exames de sangue ou cutâneos para reações imediatas.

  2. Teste de Exclusão: Retirada do leite por 4 semanas com acompanhamento médico para ver a melhora dos sintomas, seguida de uma reintrodução monitorada.

  3. Exame de Curva: Para a intolerância, o diagnóstico é feito via exame de sangue laboratorial.

“A conduta após o diagnóstico é estritamente individualizada. Nem sempre a recomendação é a restrição total”, pontua o especialista.

Orientação Final para as Famílias

Se o seu filho apresenta sintomas que não melhoram com as orientações iniciais do pediatra, é hora de investigar mais a fundo. O primeiro passo é o diálogo com o pediatra de confiança, que fará a triagem para o especialista — seja o alergista ou o gastropediatra.

“O pediatra é o colega médico com melhor capacidade de avaliação inicial para indicar a busca do especialista quando necessária”, finaliza o Dr. Adami.

Sobre o Especialista: O Dr. Adolfo Adami atua em Campo Grande/MS, com especialidade registrada (RQE) em Pediatria e Alergia e Imunologia, focando no diagnóstico preciso e na qualidade de vida de crianças e suas famílias.

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