
Área ocupada por favelas quase triplica no Brasil em quatro décadas
A área ocupada por favelas no Brasil aumentou de forma significativa nos últimos 40 anos. Segundo o Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil, divulgado pelo MapBiomas, essas comunidades passaram a ocupar cerca de 92,3 mil hectares adicionais no território nacional. Além disso, o estudo indica que a expansão ocorreu de maneira mais acelerada do que o crescimento geral das cidades.
De acordo com os dados, entre 1985 e 2024, a área urbana ocupada por favelas saltou de 53,7 mil hectares para 146 mil hectares. Assim, esse tipo de ocupação quase triplicou ao longo das últimas décadas. Enquanto isso, o crescimento urbano total das cidades brasileiras aumentou cerca de 2,5 vezes no mesmo período.
Manaus lidera expansão de favelas no país
Entre as cidades brasileiras analisadas, Manaus apresentou o crescimento mais expressivo na expansão territorial de favelas. Nesse sentido, a área ocupada por essas comunidades na capital amazonense aumentou 2,6 vezes em comparação com outros territórios urbanos.
Além disso, o levantamento aponta que a expansão das favelas ocorreu principalmente nas regiões metropolitanas. Atualmente, essas áreas concentram cerca de 82% das ocupações urbanizadas em favelas no país.
O geógrafo e coordenador do MapBiomas, Júlio Pedrassoli, avalia que esse crescimento acelerado revela um cenário preocupante. Segundo ele, as grandes metrópoles concentram riqueza e oportunidades. No entanto, também ampliam desigualdades e problemas estruturais.
Portanto, diante das mudanças climáticas e da pressão urbana crescente, especialistas alertam para a necessidade de planejamento urbano mais eficiente.
São Paulo, Manaus e Belém concentram maiores áreas
O estudo também identificou as regiões metropolitanas com maior extensão territorial ocupada por favelas. Entre elas, destacam-se:
São Paulo (SP) – cerca de 11,8 mil hectares
Manaus (AM) – aproximadamente 11,4 mil hectares
Belém (PA) – cerca de 11,3 mil hectares
Além disso, quando se observa o crescimento de favelas específicas, o Distrito Federal aparece com destaque. Nesse contexto, as comunidades Sol Nascente e 26 de Setembro registraram forte expansão entre 1985 e 2024.
Atualmente, essas duas áreas figuram entre as maiores favelas do Brasil, com 599 hectares e 577 hectares, respectivamente.
Urbanização também pressiona recursos hídricos
Outro ponto importante do estudo envolve a relação entre expansão urbana e disponibilidade de água. Segundo os pesquisadores, muitas cidades cresceram em áreas com risco para o abastecimento hídrico.
De fato, cerca de 25% das áreas naturais urbanizadas no Brasil estão localizadas em regiões onde a disponibilidade de água é considerada crítica. Ao todo, essas áreas somam aproximadamente 167,5 mil hectares.
Além disso, o levantamento identificou 1.325 municípios brasileiros com expansão urbana nessas condições. Entre eles, o Rio de Janeiro concentra a maior área urbanizada em regiões com baixa segurança hídrica.
Na capital fluminense, 7,6 mil hectares adicionais foram urbanizados nessas condições ao longo das últimas quatro décadas.
Planejamento urbano é desafio nacional
Para o coordenador do estudo, Júlio Pedrassoli, os dados revelam um problema estrutural no planejamento das cidades brasileiras. Segundo ele, existe um claro descompasso entre o crescimento urbano e a disponibilidade de recursos naturais.
Assim, a expansão das cidades em áreas sensíveis exige atenção redobrada. Caso contrário, os riscos ambientais e sociais podem se intensificar nos próximos anos.
Por fim, especialistas defendem políticas públicas que integrem planejamento urbano, preservação ambiental e infraestrutura adequada. Dessa forma, será possível garantir cidades mais resilientes e sustentáveis para a população.












