
Boletim Focus: Mercado eleva projeção da inflação para 4,92% e prevê Selic mais alta em 2026
Com o objetivo de antecipar as tendências econômicas do país, o Banco Central (BC) divulgou, nesta segunda-feira (18), o Boletim Focus com novas revisões do mercado financeiro. Dessa maneira, o relatório aponta um aumento nas expectativas para a inflação e para a taxa básica de juros na comparação com a semana passada. Nesse sentido, as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiram para 4,92%, consolidando a décima semana consecutiva de alta no indicador oficial de inflação.
IPCA Acima do Teto da Meta
A princípio, a nova estimativa coloca a inflação brasileira em um patamar de alerta em relação às metas oficiais. Portanto, o índice projetado supera o limite máximo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Dessa forma, o cenário atual das metas e projeções desenha-se da seguinte maneira:
Meta Central: Fixada em 3% pelo CMN.
Teto de Tolerância: O limite superior permitido é de 4,5% (com margem de 1,5 ponto percentual).
Projeção do Mercado: Estimada agora em 4,92%, furando o teto fiscal.
Anos Seguintes: O mercado projeta um recuo lento, prevendo 4% para 2027 e 3,65% para 2028.
Vale ressaltar ainda que, embora o IBGE tenha registrado uma desaceleração no IPCA de abril para 0,67%, o grupo de alimentos e bebidas continuou pressionando o bolso do consumidor. Consequentemente, essa pressão persistente de curto prazo reflete-se diretamente nas expectativas de longo prazo do mercado financeiro.
Pressão sobre a Taxa Selic
No que diz respeito ao combate à alta de preços, o Banco Central deve reagir utilizando seu principal instrumento de política monetária. Dessa maneira, diante do avanço inflacionário, os analistas do Boletim Focus elevaram a projeção para a taxa Selic ao final de 2026, ajustando o indicador de 13% para 13,25% ao ano. Nesse contexto, vale lembrar que o Copom mantém os juros básicos em patamares elevados para conter a demanda e tentar trazer a inflação de volta para o centro da meta.
Além disso, as previsões para os anos subsequentes também passaram por ajustes. Assim sendo, a expectativa é de que os juros recuem para 11,25% em 2027 e atinjam 10% apenas no encerramento de 2028, evidenciando que o ciclo de juros altos será mais prolongado do que o previsto anteriormente.
Estabilidade no PIB e no Câmbio
Quanto ao desempenho da atividade econômica e do mercado cambial, o cenário demonstrou maior resiliência e estabilidade nesta semana. Por conseguinte, o mercado financeiro manteve a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,85% para 2026, repetindo o mesmo patamar das últimas três semanas. Dessa forma, as projeções estruturais para o crescimento e o dólar ficaram assim definidas:
Crescimento Econômico: Expansão de 1,85% em 2026, seguida por 1,77% em 2027 e 2% em 2028.
Cotação do Dólar: Expectativa de estabilidade em R$ 5,20 para o fim deste ano, com leve subida para R$ 5,27 no próximo período.
Em suma, o Boletim Focus desta semana reforça o desafio do Banco Central em equilibrar o crescimento moderado com uma inflação persistente. Afinal, o prolongamento do cenário de juros elevados tende a encarecer o crédito, impactando diretamente o ritmo produtivo nacional. Logo, investidores e gestores públicos devem acompanhar de perto as próximas atas do Copom para entender se novos apertos monetários serão necessários para ancorar as expectativas do mercado.












