• 31 março, 2026

COP15 amplia proteção de espécies e reforça cooperação internacional

A COP15, realizada em Campo Grande, terminou neste domingo (29) com avanços considerados inéditos. Ao todo, foram incluídas mais 40 espécies em regras de proteção, além da aprovação de 16 novas ações de cooperação internacional e 39 resoluções que deverão ser adotadas por 132 países participantes e pela União Europeia.

Segundo o presidente da conferência, João Paulo Capobianco, o encontro foi bem-sucedido tanto pelo avanço coletivo quanto pelo protagonismo brasileiro. Além disso, ele destacou o alto nível técnico das delegações envolvidas.

Avanços na proteção de espécies

Durante o evento, os países aprovaram seis das sete propostas brasileiras para inclusão de espécies nos anexos da Convenção sobre Espécies Migratórias.

Nesse contexto, aves como o maçarico-de-bico-torto e o maçarico-de-bico-virado passaram a integrar o Anexo I, voltado a espécies ameaçadas de extinção. Por outro lado, o peixe pintado, o tubarão cação-cola-fina e o caboclinho-do-pantanal foram incluídos no Anexo II, que exige esforços internacionais de conservação.

Além disso, as aves petréis passaram a constar em ambos os anexos, o que reforça a necessidade de proteção ampliada. Entretanto, a proposta envolvendo o tubarão cação-anjo-espinhoso foi retirada temporariamente. Nesse caso, Brasil, Argentina e Uruguai deverão reavaliar conjuntamente a situação da espécie.

Paralelamente, iniciativas lideradas por outros países, mas com apoio do Brasil — como a inclusão da ariranha — também avançaram com sucesso.

Cooperação internacional ganha força

Além da ampliação das listas de proteção, a conferência aprovou 16 ações de cooperação internacional. Entre elas, destacam-se propostas brasileiras voltadas à conservação dos grandes bagres migratórios amazônicos e de espécies como o tubarão-mangona e o tubarão-peregrino.

Ao mesmo tempo, os países aprovaram 39 resoluções que tratam de temas estratégicos. Entre eles estão a proteção de habitats, a saúde das espécies e, sobretudo, a adaptação de infraestruturas — como redes de energia — para não interferirem nas rotas migratórias.

De acordo com Rodrigo Agostinho, o avanço foi significativo. Inclusive, ele ressaltou que cerca de 10% das espécies migratórias ainda não protegidas passaram a receber atenção, algo inédito em conferências anteriores.

Importância do multilateralismo

Nesse cenário, a escolha de Campo Grande como sede da conferência também foi estratégica. Isso porque a região funciona como porta de entrada para o Pantanal, bioma essencial para diversas rotas migratórias.

Segundo Patrick Luna, a própria natureza dessas espécies exige cooperação entre países. Ou seja, nenhuma nação consegue proteger isoladamente animais que atravessam fronteiras ao longo de seu ciclo de vida.

Além disso, ele destacou que o Brasil tem reforçado o compromisso com o multilateralismo. Nesse sentido, a COP15 consolidou a ideia de que desafios ambientais globais exigem soluções conjuntas.

Resultados com impacto global

Por fim, um dos principais avanços foi a criação de uma estratégia internacional para mobilização de recursos. Essa iniciativa busca, sobretudo, apoiar países em desenvolvimento no cumprimento das metas estabelecidas pela Convenção.

Assim, além de ampliar a proteção de espécies, a COP15 também fortaleceu mecanismos práticos de implementação. Consequentemente, o evento consolida um novo patamar de cooperação global em defesa da biodiversidade.

Frase-Chave: Mecanismos práticos.

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