• 25 maio, 2026

Crise Ambiental: Mudanças climáticas já afetam o cotidiano de 85% dos brasileiros

Com o objetivo de mensurar o impacto do aquecimento global na rotina e na economia do país, um estudo inédito realizado pelo Aurora Lab e pela organização More in Common revelou que a crise climática deixou de ser uma ameaça futura. Dessa maneira, oito em cada dez brasileiros (85%) já percebem os reflexos diretos dessas transformações em seu dia a dia. Nesse sentido, o levantamento — obtido com exclusividade pela Agência Brasil e divulgado na última semana — acende um alerta sobre as perdas financeiras e os problemas de saúde gerados por eventos extremos.

Os Principais Impactos no Custo de Vida e na Saúde

A princípio, a pesquisa aponta que quase metade dos entrevistados (46%) classifica o impacto ambiental em suas vidas como intenso. Portanto, as consequências extrapolam o meio ambiente e atingem diretamente o bolso e o bem-estar da população. Dessa forma, as principais queixas apontadas pelos 2.630 participantes foram estruturadas em frentes críticas:

  • Prejuízo Financeiro: 53% dos entrevistados relatam um aumento expressivo no custo de vida, enquanto 17% já registraram perda direta de renda.

  • Crise de Saúde: O adoecimento físico afeta 45% das pessoas, somado a 32% que declaram sofrer com problemas de saúde mental decorrentes do estresse climático.

  • Desafios Profissionais: Cerca de 40% enfrentam obstáculos para acessar o local de trabalho e 10% já perderam o emprego devido a desastres ambientais.

Vale ressaltar ainda que sete a cada dez brasileiros (67%) confiam que o governo deve ser o principal agente garantidor da proteção dos trabalhadores nesse novo cenário. Consequentemente, essa forte demanda pelo papel do Estado surpreendeu os pesquisadores, que alertam para a necessidade de incluir os empregadores privados nessa responsabilidade de transição.

Consciência Ecológica e Expectativas para o Mercado de Trabalho

No que diz respeito à necessidade de mudanças estruturais, o estudo demonstra um consenso quase unânime, visto que 93% dos participantes reconhecem que os modelos de produção e consumo precisam ser transformados. Dessa maneira, longe de enxergar a transição energética como uma ameaça, a maior parte da população projeta um cenário otimista para o futuro do emprego. Nesse contexto, uma parcela de 67% acredita que a migração para energias limpas trará bons frutos, impulsionando a abertura de novas vagas de trabalho qualificado.

Além disso, a pesquisa avaliou a percepção social sobre a desigualdade. Assim sendo, 45% dos respondentes acreditam que a nova matriz energética ajudará a reduzir as disparidades sociais e a elevar a média salarial no país, contra 40% que temem a manutenção ou o agravamento do cenário atual.

A Confiança na Ciência diante das Redes Sociais

Quanto aos canais de informação, o levantamento identificou um dado relevante sobre o combate à desinformação no Brasil. Por conseguinte, mesmo com as redes sociais figurando como o principal meio de acesso a notícias para 65% dos entrevistados, as universidades e os cientistas retêm a liderança em termos de credibilidade, sendo a fonte de maior confiança para 69% das pessoas.

Em subm, a pesquisa Clima, Trabalho e Transição Justa — que colheu dados em nove capitais brasileiras — evidencia que a sociedade civil apoia a agenda verde, mas exige liderança governamental para mitigar os impactos sociais. Afinal, enfrentar a crise climática exige mais do que tecnologia; requer um pacto político que proteja a subsistência das famílias mais vulneráveis. Logo, os dados devem balizar os próximos debates em São Paulo sobre o desenvolvimento sustentável e a transição justa no mercado corporativo.

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