• 04 junho, 2026

Cultura: Imagens do fotojornalista Paulo Pinto, da Agência Brasil, ganham destaque em exposições em São Paulo

Com o objetivo de celebrar a potência do olhar documental brasileiro, o trabalho do fotojornalista Paulo Pinto integra duas importantes exposições gratuitas na capital paulista. Dessa maneira, as mostras revelam a versatilidade do profissional, que transita com a mesma maestria entre a euforia do esporte e as sensíveis crônicas visuais do cotidiano. Nesse sentido, o grande destaque de público fica por conta do registro eternizado do pentacampeonato mundial de futebol, que marcou a história do esporte em 2002.

O Êxtase do Futebol Eternizado em Pinheiros

A princípio, a célebre fotografia do lateral-direito Cafu beijando a taça da Copa do Mundo sob uma chuva de papel picado prateado ganhou uma sala especial. Portanto, a imagem está em exibição no Instituto Via Foto, localizado em Pinheiros, disponível para visitação até o dia 9 de agosto. Dessa forma, a peça divide o corredor com outras dez obras históricas, servindo como uma introdução à mostra principal, intitulada Futebol: Território–Êxtase, que reúne o trabalho de 23 fotógrafos contemporâneos.

  • Curadoria Especial: A exposição principal conta com a assinatura do renomado curador Eder Chiodetto.

  • Texto de Abertura: O jornalista Juca Kfouri assina a apresentação da mostra, classificando o evento como imperdível para os amantes da arte e do esporte.

  • Sonho Profissional: Paulo Pinto destaca que registrar o título mundial foi uma das maiores satisfações de sua carreira na cobertura esportiva.

Vale ressaltar ainda que o futebol sempre funcionou como o guia principal do fotógrafo no jornalismo esportivo. Consequentemente, a reabertura desse acervo permite que as novas gerações entendam o carinho e a mística que envolvem a seleção brasileira.

O Olhar Atento às Demais Mazelas Sociais no Centro

No que diz respeito à atuação política e social da imagem, outra fotografia de destaque do autor compõe a 20ª Mostra Anual de Fotojornalismo da ARFOC-SP. Dessa maneira, o evento espalha-se por quatro espaços icônicos do centro de São Paulo, incluindo a Biblioteca Mário de Andrade e a Praça Dom José Gaspar, permanecendo em cartaz até 28 de junho. Nesse contexto, a obra selecionada de Paulo Pinto traz uma carga dramática profunda e necessária:

  1. A Imagem do Luto: A foto registra as mãos de dona Zilda Maria de Jesus segurando uma corrente com as iniciais de seu filho, Fernando Luiz de Paula.

  2. Contexto Histórico: O jovem foi uma das vítimas fatais das chacinas ocorridas em Barueri, Osasco e Itapevi no ano de 2015.

  3. Denúncia Visual: O registro funciona como um manifesto contra a opressão de agentes estatais sobre as populações periféricas e desamparadas.

Além disso, o presidente da ARFOC-SP, Toni Pires, ressalta que Paulo Pinto atua como um exímio contador de histórias humanas. Assim sendo, a exposição deste ano buscou ocupar as ruas e praças justamente para democratizar o acesso ao fotojornalismo puro e representativo, dialogando diretamente com o público pedestre.

A Função Social do Fotojornalismo

Em suma, as duas mostras simultâneas consolidam a trajetória de Paulo Pinto como uma das referências da fotografia documental no país. Afinal, o papel do profissional vai muito além do mero registro estético, atuando diretamente como os olhos e a voz daqueles que enfrentam a invisibilidade social. Logo, ao visitar os circuitos cultural e central de São Paulo, o público tem a oportunidade de refletir sobre as tragédias, as poesias e os momentos de êxtase que moldam a identidade da sociedade brasileira.

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