
Dia do Choro: Orquestra Pizindim celebra Pixinguinha e lança álbum autoral em Brasília
Com o objetivo de celebrar o Dia Nacional do Choro, comemorado nesta quinta-feira (23), a Orquestra Pizindim apresenta ao público o single “O pulo do sapo”. Dessa maneira, o grupo brasiliense inicia a divulgação de seu primeiro álbum, destacando-se como a primeira formação orquestral da capital federal dedicada exclusivamente ao gênero. Nesse sentido, o lançamento não apenas homenageia grandes mestres do passado, mas também reafirma a vitalidade da produção contemporânea de Brasília.
Homenagens e Resgate Histórico
A princípio, o nome da orquestra é uma referência direta ao apelido de infância de Pixinguinha, o mestre Alfredo da Rocha Vianna Filho. Portanto, o grupo dedica-se a um legado ainda pouco explorado pelo grande público: o trabalho de Pixinguinha como arranjador entre as décadas de 1920 e 1950. Dessa forma, a Pizindim retira das sombras partituras raras e arranjos inéditos, preservados em acervos como o do Instituto Moreira Salles.
Vale ressaltar ainda que o álbum traz luz sobre compositores menos conhecidos, como o pianista carioca Costinha. Consequentemente, ao gravar faixas como a valsa “Só tu não sentes”, a orquestra resgata a sonoridade dos “chorões” que trabalhavam na antiga Estrada de Ferro Central do Brasil. Assim sendo, a Pizindim atua como uma guardiã da memória musical brasileira, conectando o ouvinte atual às raízes mais profundas do maxixe, da polca e da valsa.
A Versatilidade de Pixinguinha e o Jazz
No que diz respeito ao repertório do maestro Pixinguinha, o álbum destaca músicas que marcaram o cinema e a história fonográfica. Dessa maneira, o maxixe “Dando topada” exemplifica a técnica rítmica do mestre, enquanto uma nova versão de “Carinhoso” explora a longa e complexa trajetória dessa canção icônica. Nesse contexto, o diretor musical Bruno Patrício elaborou um arranjo que condensa diferentes fases da música, desde sua composição em 1917 até o sucesso estrondoso na voz de Orlando Silva.
Além disso, o projeto aborda a influência do jazz e as críticas que o gênero sofreu no início do século XX por sua suposta “modernidade excessiva”. Assim, a orquestra demonstra como o choro sempre foi um gênero aberto a diálogos e inovações. Logo, a execução de arranjos datados de 1949 e 1957 prova que a sofisticação musical de Pixinguinha estava muito à frente de seu tempo, unindo a tradição brasileira a uma estrutura orquestral robusta.
Choro Contemporâneo e Show de Lançamento
Quanto à produção autoral, a Pizindim prova que o choro é um organismo vivo e em constante evolução. Por conseguinte, além de clássicos, o disco apresenta composições dos próprios integrantes, como o cavaquinista Léo Benon e o saxofonista Bruno Patrício. Ademais, a participação da cantora Ana Reis na faixa “Só o tempo”, de Paulinho da Viola, traz uma camada extra de sensibilidade ao projeto, unindo a instrumentação de sopros, cordas e percussão à voz.
Em suma, o público terá a oportunidade de conferir esse repertório em primeira mão amanhã (24), durante o show de pré-lançamento na Escola de Música de Brasília. Afinal, o projeto foi viabilizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, visando levar essa sonoridade para todo o país. Logo, com o single já disponível nas plataformas digitais, a Orquestra Pizindim consolida Brasília como um dos principais polos de resistência e inovação do choro brasileiro.
Serviço:
Single: “O pulo do sapo” (Disponível nas plataformas digitais).
Show: Amanhã (24/04), às 20h, no Teatro Levino de Alcântara (EMB).
Formação: 13 músicos fixos, unindo metais, cordas e percussão.












