• 11 junho, 2026

Economia: Poupança registra primeira entrada líquida do ano com saldo positivo de R$ 2,6 bilhões em maio

Com o objetivo de recompor as finanças e aproveitar os novos rumos da política monetária, os investidores brasileiros injetaram mais recursos na caderneta de poupança no mês de maio. Dessa maneira, as aplicações superaram os saques em R$ 2,6 bilhões, interrompendo uma sequência de perdas que vinha se arrastando desde o início de 2026. Nesse sentido, o relatório oficial divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (9) confirma uma mudança pontual no comportamento do poupador brasileiro.

Radiografia dos Números e Histórico de Saques

A princípio, a movimentação financeira de maio envolveu cifras bilionárias. Portanto, os cidadãos depositaram R$ 368,4 bilhões no mês passado, enquanto as retiradas somaram R$ 365,8 bilhões. Dessa forma, somando-se os R$ 6,2 bilhões de rendimentos creditados diretamente nas contas, o saldo total da poupança ultrapassou a marca histórica de R$ 1 trilhão.

Vale ressaltar ainda que este resultado positivo representa uma exceção no cenário recente do país. Consequentemente, a poupança acumula perdas severas nos últimos anos devido à concorrência com outros fundos de investimento:

  • Ano de 2023: Rombo de R$ 87,8 bilhões em retiradas líquidas.

  • Ano de 2024: Saldo negativo menor, fechando em R$ 15,5 bilhões.

  • Ano de 2025: Nova disparada nos saques, totalizando perdas de R$ 85,6 bilhões.

  • Acumulado de 2026: Mesmo com o alívio de maio, os primeiros cinco meses do ano já acumulam R$ 39,1 bilhões em retiradas líquidas.

O Impacto Direto da Taxa Selic e da Inflação

No que diz respeito à principal causa para a fuga histórica de recursos da caderneta, os analistas apontam o patamar elevado da taxa Selic. Dessa maneira, juros altos estimulam os investidores a migrarem para opções de renda fixa com melhor desempenho. Nesse contexto, de junho de 2025 a março deste ano, o Banco Central manteve a taxa básica em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas —, o que esvaziou a poupança tradicional.

Além disso, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou recentemente um ciclo de flexibilização ao cortar os juros para 14,5% ao ano. Assim sendo, o BC utiliza a Selic como o principal instrumento para conter a demanda aquecida e tentar trazer o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para a meta oficial de 3%.

Expectativa para os Próximos Meses

Em uma análise geral, o cenário inflacionário ainda exige cautela por parte do mercado financeiro. Afinal, em abril, a alta no preço dos alimentos pressionou a inflação oficial, que fechou o mês em 0,67% e levou o IPCA acumulado de 12 meses para 4,39%. Logo, os analistas aguardam a divulgação da inflação de maio pelo IBGE, agendada para a próxima sexta-feira (12), para entender se o respiro da poupança se consolidará ou se foi apenas um movimento isolado no ano.

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