• 15 maio, 2026

Gestão e Segurança: Entenda por que o descarte de doses faz parte da estratégia do SUS

Com o objetivo de esclarecer dúvidas sobre o aproveitamento de imunizantes, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) detalhou, na última semana, como funcionam as chamadas “perdas técnicas”. Dessa maneira, o que muitas vezes parece desperdício aos olhos do público é, na verdade, um protocolo rigoroso de segurança viária e biológica. Nesse sentido, o descarte de doses segue as normas do Programa Nacional de Imunizações (PNI), garantindo que cada vacina aplicada mantenha sua eficácia e integridade total.

O Que São as Perdas Técnicas e por que Elas Ocorrem?

A princípio, a maior parte das perdas acontece devido ao uso de frascos multidoses, que contêm várias aplicações em um único recipiente. Portanto, assim que o profissional de saúde abre o frasco, inicia-se uma contagem regressiva para o uso do produto. Dessa forma, a estabilidade do imunizante fica sujeita a prazos específicos que garantem a proteção do paciente:

    • Prazo de Validade: Após a abertura, o frasco tem poucas horas ou dias para ser utilizado, dependendo da vacina.

    • Controle Térmico: As doses devem permanecer rigorosamente entre 2°C e 8°C; qualquer variação fora dessa faixa exige o descarte imediato.

    • Contaminação: O manuseio constante de frascos abertos aumenta a suscetibilidade a agentes externos, tornando o descarte uma medida de precaução.

Vale ressaltar ainda que, segundo a coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, o descarte não indica falha, mas sim cuidado. Consequentemente, utilizar uma dose fora do prazo técnico poderia comprometer a segurança da pessoa vacinada, invalidando o esforço de proteção coletiva.

A Estratégia de Não Perder Oportunidades

No que diz respeito à logística de atendimento, o SUS adota a política de “oportunidade perdida zero”. Dessa maneira, as unidades de saúde recebem orientação para abrir um frasco mesmo que haja apenas um cidadão para ser vacinado naquele momento. Nesse contexto, a prioridade absoluta é garantir a imunização do indivíduo, ainda que isso resulte na perda das demais doses do frasco multidose.

Além disso, o PNI estabelece parâmetros de perdas aceitáveis para cada tipo de vacina. Assim sendo, os gestores monitoram esses índices continuamente para avaliar a eficiência das salas de vacinação. Enquanto as perdas técnicas são previstas, as perdas evitáveis — como queda de energia ou erros de manuseio — passam por um monitoramento muito mais rigoroso e geram ações de treinamento imediato.

Capacitação e Participação Popular

Quanto à prevenção de desperdícios reais, a SES investe pesadamente na qualificação permanente das equipes técnicas. Por conseguinte, profissionais de todo o Mato Grosso do Sul passam por treinamentos sobre o transporte e o armazenamento correto dos frascos. Dessa forma, o estado consegue reduzir os erros operacionais e focar apenas no que é inerente à natureza do produto biológico.

Em suma, a eficiência do sistema de vacinação depende de um equilíbrio delicado entre logística e biologia. Afinal, a meta do SUS é assegurar que a ciência chegue ao cidadão com 100% de sua capacidade protetiva. Logo, a participação da população, mantendo o cartão de vacina atualizado, é fundamental para que as unidades de saúde consigam organizar melhor a abertura dos frascos e otimizar cada gota de esperança produzida pelos laboratórios

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