• 25 junho, 2026

Mercado Financeiro: Dólar avança para R$ 5,20 e atinge maior valor em três meses com a pressão dos juros nos EUA

O dólar comercial avançou e atingiu o valor mais alto em quase três meses durante o pregão desta quarta-feira (24), em um dia marcado por forte nervosismo no mercado financeiro global. Dessa maneira, a moeda americana encerrou o dia com uma valorização de 0,28%, cotada a R$ 5,202, após registrar uma máxima de R$ 5,22 ao longo da manhã. Nesse sentido, o fechamento consolidou o segundo dia consecutivo de alta cambial e o maior nível de preço desde o dia 30 de março.

Expectativa de Juros nos EUA e o Impacto no Câmbio

Os investidores compraram a moeda norte-americana motivados, por exemplo, pelo temor de que o Federal Reserve (Fed) adote uma postura monetária ainda mais restritiva nas próximas reuniões. Os analistas aguardam, portanto, a divulgação do Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE), indicador de inflação que o banco central estadunidense acompanha de perto. Com efeito, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de divisas globais, operou perto das máximas em mais de um ano.

Essa disparidade entre os juros internacionais e a taxa Selic afetou, além disso, a atratividade do mercado brasileiro para os investidores estrangeiros. Consequentemente, o cenário reduziu o espaço para a estratégia de carry trade, operação financeira baseada na diferença entre as taxas internas e externas. Os fundos globais preferiram, assim sendo, retirar capital de países emergentes para buscar a segurança dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Bolsa de Valores Recua Pressionada por Commodities

O Ibovespa, principal índice da B3, interrompeu uma sequência de três altas consecutivas e encerrou o dia em queda de 0,44%, fixado aos 170.506 pontos. O mercado de ações perdeu tração, por sua vez, devido ao tombo das grandes companhias petroleiras e mineradoras da bolsa nacional. Dessa forma, a desvalorização global das matérias-primas pesou mais do que o desempenho positivo das empresas de consumo interno, as quais subiram amparadas pelo recuo dos juros futuros.

A queda das ações ligadas à energia ocorreu paralelamente ao recuo expressivo do preço do petróleo no mercado internacional. O barril de do tipo Brent caiu 3,81%, cotado a US$ 73,87, registrando, deste modo, o menor valor desde o início do conflito geopolítico entre os Estados Unidos e o Irã. Os contratos futuros do Texas (WTI) recuaram na mesma intensidade, operando temporariamente abaixo da linha dos US$ 70.

Alívio Geopolítico e Oferta de Petróleo

A descompressão nos preços dos combustíveis reflete a retomada gradual do fluxo de navios cargueiros pelo Estreito de Ormuz. Os operadores internacionais consideram, em suma, que o risco de desabastecimento global diminuiu drasticamente após os sinais de avanço diplomático entre Washington e Teerã. Logo, o aumento da oferta global de óleo bruto retirou o prêmio de risco das commodities, impactando negativamente o caixa das petrolíferas. Como resultado, o mercado realinhou suas expectativas cambiais e acionárias para o fechamento do mês, aguardando os novos indicadores da economia americana para ditar o ritmo dos negócios.

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