
Mobilidade e Renda: Estudo aponta que Tarifa Zero nas capitais pode injetar R$ 60 bilhões na economia
Com o objetivo de analisar o impacto da gratuidade no transporte público, pesquisadores da UnB e da UFRJ divulgaram um estudo inédito nesta terça-feira (5). Dessa maneira, o levantamento sugere que a implementação da Tarifa Zero nas 27 capitais brasileiras teria um potencial transformador semelhante ao do Bolsa Família. Nesse sentido, a medida não apenas facilitaria o deslocamento urbano, mas funcionaria como uma poderosa ferramenta de distribuição de renda e combate às desigualdades raciais.
Impacto Econômico e Liquidez Imediata
A princípio, a pesquisa intitulada A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda estima uma injeção bruta de R$ 60,3 bilhões anuais na economia. Entretanto, ao descontar as isenções que já vigoram atualmente — como as de idosos e estudantes —, o valor líquido que passaria a circular no bolso dos brasileiros seria de R$ 45,6 bilhões. Dessa forma, o benefício reflete-se nos seguintes pontos:
Renda Disponível: O gasto que antes era obrigatório com passagens transforma-se em dinheiro para consumo de bens e serviços.
Estímulo ao Consumo: Com mais liquidez, as famílias tendem a consumir mais, o que acaba retornando ao Estado através da arrecadação de impostos sobre produtos.
Salário Indireto: Para as camadas mais vulneráveis, a gratuidade atua como um reforço orçamentário que amplia o poder de compra real.
Vale ressaltar ainda que, segundo o coordenador do estudo, Thiago Trindade, essa política beneficia diretamente a população negra e os moradores de periferias. Consequentemente, a Tarifa Zero elevaria o transporte ao status de direito social universal, seguindo o modelo do SUS e da Educação Pública.
Propostas de Financiamento Sustentável
No que diz respeito ao custeio dessa política, os pesquisadores argumentam que é possível viabilizar o projeto sem sobrecarregar o orçamento da União. Dessa maneira, o estudo propõe uma transição no sistema atual de vale-transporte por um modelo de contribuição empresarial mais eficiente. Nesse contexto, o plano de financiamento sugere:
Contribuição de Empresas: Foco em instituições públicas e privadas com mais de dez funcionários.
Isenção para Pequenos Negócios: Estima-se que 81,5% dos estabelecimentos estariam isentos da nova contribuição.
Substituição de Modelo: A troca do vale-transporte tradicional por um fundo de mobilidade urbana garantiria a sustentabilidade do sistema a longo prazo.
Além disso, os professores defendem que o Brasil assumiria um papel de vanguarda global ao adotar essa estratégia em escala nacional. Assim sendo, o país passaria a liderar experiências de aprofundamento democrático e redução drástica de desigualdades estruturais.
Conclusão e Perspectivas Sociais
Quanto aos próximos passos, o debate deve ganhar força dentro da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Congresso Nacional. Por conseguinte, a pesquisa serve como base técnica para futuras discussões legislativas sobre o tema.
Em suma, o estudo reforça que a gratuidade no transporte não é apenas uma questão de logística, mas sim de justiça social. Afinal, ao tratar o deslocamento como um serviço essencial gratuito, o Estado remove uma das maiores barreiras para o acesso ao trabalho, à saúde e ao lazer. Logo, a Tarifa Zero apresenta-se como um caminho viável para modernizar as metrópoles brasileiras e fortalecer a dignidade da população urbana.












