• 14 maio, 2026

O “Segundo Cérebro” e sua Imunidade: Por que a Saúde Digestiva é a Chave do Bem-Estar em Maio

O mês de maio traz um alerta importante com o Dia Mundial da Saúde Digestiva, celebrado no dia 29. Mais do que evitar aquela azia incômoda, cuidar do sistema digestório é o segredo para equilibrar o humor, o sono e as defesas do corpo. Essa conexão acontece porque o intestino possui uma rede própria de nervos, o chamado “segundo cérebro”. Ele mantém uma conversa direta e constante, de via dupla, com a nossa mente.

Segundo a Dra. Luciana Araujo Bento (CRM–MS 4078), que possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrologia, estar emocionalmente bem é decisivo para o corpo. Ela explica que as emoções podem interferir no funcionamento do intestino, aumentando ou reduzindo os movimentos naturais e deixando o órgão mais sensível, o que gera dores abdominais. Por isso, o estresse pode mudar o ritmo do seu banheiro e aumentar a sensação de desconforto.

Entendendo a Síndrome do Intestino Irritável

Um grande desafio hoje é saber se aquele desconforto na barriga é só algo passageiro ou a Síndrome do Intestino Irritável, conhecida pela sigla SII. Para o médico confirmar essa condição, a dor e a mudança no hábito de ir ao banheiro, como diarreia ou prisão de ventre, precisam persistir por pelo menos seis meses. A Dra. Luciana alerta que diversas doenças podem se parecer com a SII, por isso, descobrir a causa real com um especialista é o único jeito de o tratamento funcionar.

As mulheres precisam de atenção redobrada devido aos hormônios. Antes da menstruação, o intestino costuma prender por causa da progesterona, enquanto no período menstrual, ele tende a soltar devido às prostaglandinas. Quem sofre de SII sente essas mudanças de forma muito mais forte. Nesses dias, a médica orienta evitar alimentos que causam gases, como feijão, alho, cebola, leite e maçã, priorizando fibras como aveia e chia, além de muita água.

Mitos do “Detox” e o Cuidado com o Fígado

Sobre a saúde do fígado, a especialista desmistifica as receitas que prometem “limpar” o órgão. Não existe prova científica de que sucos “detox” funcionem para o fígado e é preciso ter muito cuidado com o que se chama de natural. Chás, ervas e fitoterápicos podem, na verdade, ser tóxicos e causar hepatite tóxica grave. O que realmente ajuda o fígado é o consumo de água e comida de verdade, como verduras, legumes e frutas frescas, longe de produtos industrializados, excesso de gordura, açúcar e álcool.

Além disso, as enzimas digestivas vendidas sem receita não são milagrosas. Apenas substâncias específicas como a pancreatina, para casos de pancreatite crônica, ou a lactase, para intolerância à lactose, possuem benefícios comprovados. A Dra. Luciana esclarece que não há enzima que cure a intolerância ao glúten ou a doença celíaca.

Prevenção e Sinais de Alerta no Dia a Dia

Prevenir é sempre a melhor estratégia, especialmente no caso do câncer de intestino, que deve ser pesquisado antes mesmo de os sintomas aparecerem. O exame de colonoscopia é recomendado a partir dos 45 anos e, se estiver tudo bem, deve ser repetido a cada cinco anos. Outros exames, como a endoscopia para quem tem muita azia ou dor e o ultrassom de abdome a cada dois anos, ajudam a vigiar órgãos como o pâncreas e a vesícula.

É fundamental manter a atenção a sinais que exigem uma consulta urgente para descartar doenças graves. Fique alerta se os sintomas começarem após os 50 anos, se houver sangue nas fezes, emagrecimento rápido sem motivo ou anemia e febre constante. Também demandam investigação imediata a diarreia que te acorda à noite ou casos de câncer e doenças inflamatórias na família. O acompanhamento médico é a única forma de garantir o cuidado certo para o seu caso.

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