
Rosácea: Quando a pele fala – os impactos emocionais da doença invisível
A rosácea é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente o rosto, causando vermelhidão, vasinhos dilatados, pústulas e sensação de queimação. Apesar de ser visível na pele, seus impactos mais profundos são, muitas vezes, invisíveis: autoestima abalada, ansiedade e isolamento social. A condição acomete milhões de brasileiros e exige uma abordagem que vai muito além da superfície da pele.
Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia de Mato Grosso do Sul (SBD-MS), Heloide Marcelino, entender a rosácea como uma doença que também compromete a saúde mental é essencial para um tratamento eficaz.
O que é a rosácea e quem ela afeta?
A rosácea costuma se manifestar em adultos a partir dos 30 anos, principalmente em mulheres de pele clara. Embora sua causa exata não seja totalmente conhecida, sabe-se que fatores genéticos, ambientais e emocionais estão envolvidos. Entre os gatilhos mais comuns estão o estresse, exposição solar, alimentos condimentados, bebidas alcoólicas e alterações hormonais.
“A rosácea não tem cura, mas tem controle. O grande desafio está em identificar os fatores desencadeantes e manter a doença sob controle. Mas para isso, o paciente precisa de acolhimento e orientação”, afirma Heloide Marcelino.
Quando a pele expressa o que o emocional sente
Para muitas pessoas com rosácea, a pele se torna uma tela que reflete o que o emocional tenta esconder. Vermelhidão constante, surtos inesperados e a sensação de perda de controle sobre a própria aparência podem levar ao sofrimento psicoemocional.
“Recebo muitos pacientes em meu consultório que relatam vergonha, medo de sair de casa, dificuldades nos relacionamentos e até impacto na vida profissional por conta da rosácea”, diz Heloide. “A pele fala, e muitas vezes grita por ajuda”.
Impactos emocionais: muito além do espelho
De acordo com um estudo publicado pela National Rosacea Society, cerca de 90% dos pacientes com rosácea afirmam que a condição prejudica sua autoestima e bem-estar. Mais de 40% relataram evitar interações sociais por vergonha das lesões na pele.
“O preconceito está presente. Muita gente ainda acredita que a vermelhidão é resultado de embriaguez ou falta de cuidados pessoais, o que é um mito. Isso gera um estigma que fere, machuca e isola”, alerta a dermatologista.
O papel do dermatologista no suporte emocional
Para Heloide Marcelino, o olhar clínico deve caminhar lado a lado com a escuta empática. “Não basta prescrever um creme ou um antibótico. É preciso ouvir o paciente, entender seu contexto emocional e, se necessário, encaminhá-lo para suporte psicológico”.
A especialista reforça que os pacientes com rosácea devem ser orientados sobre os gatilhos da doença e como identificá-los. Além disso, destaca a importância de manter uma rotina de cuidados com a pele, com produtos indicados por profissionais.
Tratamento e controle da rosácea
O tratamento da rosácea varia de acordo com o grau da doença e pode incluir:
- Cremes e géis tópicos anti-inflamatórios
- Antibóticos orais
- Terapias a laser para vasinhos visíveis
- Cuidados diários com limpeza e hidratação da pele
- Uso de protetor solar adequado
Sites como o da Sociedade Brasileira de Dermatologia trazem informações confiáveis sobre a condição. “O mais importante é que o paciente compreenda que não está sozinho. Existe tratamento, e com orientação adequada é possível viver bem com a rosácea”, afirma Heloide.
A rosácea e a vida social
Além dos sintomas físicos, muitos pacientes relatam que a rosácea impacta negativamente sua vida social. Festas, encontros e eventos corporativos tornam-se fonte de ansiedade.
“Ouço pacientes dizerem que evitam fotos, vídeos e até ligações por vídeochamada. É preciso ter empatia e quebrar o tabu de que condições dermatológicas são apenas estéticas. Elas vão muito além disso”, reforça Heloide.
O impacto no mercado de trabalho
A aparência física ainda influencia muitas esferas da vida profissional. Em entrevistas de emprego, por exemplo, a insegurança causada pela rosácea pode comprometer a autoconfiança do candidato.
“Já tive pacientes que desistiram de processos seletivos porque se sentiam inseguros com a aparência. A pele, quando doente, pode afetar diretamente as oportunidades que uma pessoa tem na vida”, comenta a especialista.
Rosácea e autoestima: como reconstruir?
Fortalecer a autoestima do paciente com rosácea é parte fundamental do tratamento. Além do acompanhamento dermatológico, a busca por terapia psicológica pode ser uma aliada importante.
“Autocuidado é um ato de resistência e amor-próprio. Quando o paciente entende que cuidar da pele é cuidar de si, o processo de aceitação e melhora começa a acontecer”, diz Heloide Marcelino.
A importância da informação e do acolhimento
Falar sobre rosácea de forma aberta é um passo importante para quebrar preconceitos. Iniciativas de conscientização, como campanhas promovidas pela SBD, ajudam a educar a população e a oferecer suporte a quem convive com a doença.
“O conhecimento liberta. Quanto mais falamos sobre a rosácea, menos solitários os pacientes se sentem. Eles percebem que há um caminho possível, com acolhimento, tratamento e respeito”, conclui Heloide.
A rosácea é muito mais do que uma doença de pele. É uma condição que toca profundamente a identidade e a autoestima de quem convive com ela. Por isso, é fundamental tratar não apenas os sintomas cutâneos, mas também os impactos emocionais.
Com informação de qualidade, acompanhamento profissional e apoio emocional, é possível controlar a rosácea e retomar a qualidade de vida.
Para mais informações sobre doenças de pele, acesse a seção de dermatologia no portal da Sociedade Brasileira de Dermatologia.