
Rota Bioceânica: Mato Grosso do Sul consolida infraestrutura estratégica para o mercado global
Com o objetivo de transformar a logística e a competitividade do Estado, o secretário da Semadesc, Artur Falcette, apresentou nesta segunda-feira (13) os avanços e os desafios do Corredor Bioceânico de Capricórnio. Durante palestra na OAB-MS, em Campo Grande, o secretário destacou que o projeto — que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — já é uma realidade em estágio avançado de execução. Nesse sentido, o governo estadual atua de forma coordenada para garantir que a infraestrutura acompanhe o crescimento das demandas comerciais internacionais.
Ponte Binacional: 90% das obras concluídas
A princípio, o maior símbolo de integração desta rota é a construção da ponte internacional sobre o Rio Paraguai, ligando Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (PY). Atualmente, a estrutura de 1.294 metros de extensão já atingiu a marca de 90% de execução, com a entrega definitiva confirmada para agosto de 2026. Dessa maneira, o investimento de US$ 85 milhões, financiado pela Itaipu Binacional, prepara o terreno para uma nova fronteira de desenvolvimento econômico.
Além disso, as obras de acesso no lado brasileiro seguem um cronograma rigoroso. Portanto, a pavimentação do contorno rodoviário de Porto Murtinho na BR-267, que estava com 35% de execução no início do ano, avança para sua conclusão prevista em julho de 2027. Do mesmo modo, no lado paraguaio, o asfalto da rodovia PY-15 deve ser finalizado até agosto deste ano, garantindo a fluidez do trajeto transcontinental.
Facilitação do Comércio e Governança Integrada
No que diz respeito à burocracia de fronteira, o projeto avança com o modelo de “cabeceira única”, integrando os sistemas aduaneiros de Brasil e Paraguai. Dessa forma, a adesão do Brasil à Convenção de Transporte Internacional de Mercadorias (TIR), oficializada em fevereiro de 2026, surge como uma ferramenta essencial para reduzir custos e o tempo de espera nas alfândegas.
Consequentemente, a governança do corredor foi fortalecida com a criação de subgrupos técnicos. Nesse contexto, resoluções recentes de 2025 e 2026 estruturaram grupos de trabalho focados em:
Segurança Pública: Envolvendo forças como PM, PRF e Polícia Federal;
Saúde e Sustentabilidade: Monitorando os impactos sociais ao longo do corredor;
Logística Digital: Implementando 104 projetos de infraestrutura física e tecnológica.
Desafios Operacionais e Próximos Passos
Quanto aos obstáculos para a operação plena, o secretário Artur Falcette alertou que a infraestrutura construída deve ser acompanhada por uma capacidade logística eficiente. Assim sendo, questões como a qualificação de motoristas e a harmonização das legislações entre os quatro países permanecem como prioridades na agenda internacional. Para tanto, um Plano Mestre financiado pelo BID já estabeleceu 264 soluções para aprimorar os fluxos de mercadorias no curto e médio prazo.
Vale ressaltar ainda que o calendário de integração segue intenso. Logo, o próximo Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária acontecerá já em maio de 2026, preparando o caminho para o grande encontro de governadores em Antofagasta, no Chile, em novembro.
Em suma, a Rota Bioceânica em 2026 não é apenas uma promessa, mas uma plataforma de desenvolvimento regional em fase final de montagem. Afinal, ao unir setores como agronegócio, mineração e turismo, Mato Grosso do Sul posiciona-se como o coração logístico da América Latina, pronto para conectar o Atlântico ao Pacífico de forma eficiente e sustentável.












