• 03 março, 2026

São Paulo registra alta de feminicídios em janeiro e acende alerta para políticas públicas

O estado de São Paulo registrou aumento no número de feminicídios em janeiro deste ano. Ao todo, 27 mulheres foram assassinadas no período, cinco a mais do que no mesmo mês de 2025. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (27) pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Desse total, 15 autores foram presos em flagrante. No interior paulista, ocorreram 20 mortes, com 12 prisões imediatas; já na capital e na região metropolitana, concentraram-se os demais casos.

Ciclo de violência antecede o crime

Segundo a pesquisadora Daiane Bertasso, do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina, o feminicídio raramente acontece de forma isolada. Na verdade, ele costuma resultar de um ciclo progressivo de violências.

De acordo com a especialista, agressões psicológicas, emocionais e patrimoniais frequentemente antecedem o crime. Além disso, a Lei Maria da Penha já reconhece essas múltiplas formas de violência. Por isso, ignorar sinais prévios contribui para o agravamento da situação.

A pesquisadora destaca que o machismo estrutural e a misoginia ainda moldam comportamentos sociais. Consequentemente, muitas mulheres enfrentam silêncio, vergonha ou descrédito ao buscar apoio. Muitas vezes, familiares minimizam as denúncias, tratando-as como “fase passageira”.

Falhas na proteção e necessidade de prevenção

Casos recentes mostram que, mesmo quando há medida protetiva, o Estado nem sempre garante proteção efetiva. Assim, algumas vítimas continuam vulneráveis e acabam assassinadas.

Para Bertasso, é fundamental fortalecer políticas públicas. Sobretudo, o poder público precisa ampliar acolhimento e mecanismos de proteção. Além do mais, especialistas apontam que discursos de masculinidade tóxica nas redes digitais reforçam comportamentos violentos.

Nesse sentido, pesquisas sobre a chamada “machosfera” indicam crescimento de conteúdos que disseminam ideias misóginas. Portanto, a especialista defende educação obrigatória sobre relações de gênero nas escolas. Dessa forma, seria possível prevenir a reprodução desses padrões desde a infância.

Cenário nacional também preocupa

O aumento em São Paulo reflete um cenário nacional alarmante. Em 2025, o Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio — média de quatro mortes por dia —, número recorde segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. No ano anterior, o país já havia atingido marca histórica, com 1.458 vítimas.

Em São Paulo, 2025 também apresentou o maior número da série histórica iniciada em 2018: 270 mulheres assassinadas. Comparativamente, o total representa crescimento de 6,7% em relação a 2024, quando 253 casos foram contabilizados.

Em síntese, os números reforçam a urgência de ações integradas entre prevenção, proteção e educação, a fim de conter o avanço da violência contra as mulheres.

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