
Saúde Pública: Remédio injetável contra o HIV pode integrar o SUS até o fim do ano
O Sistema Único de Saúde (SUS) planeja incorporar ainda este ano uma nova modalidade de profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável para prevenir a contaminação pelo HIV. Dessa maneira, a população terá acesso ao cabotegravir, um medicamento de ação prolongada que impede a replicação do vírus por meio de aplicações bimestrais. Nesse sentido, o Ministério da Saúde formalizará o pedido de inclusão junto à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) na próxima semana.
Negociações Orçamentárias e Escolha do Cabotegravir
A Conitec avaliará minuciosamente a relação custo-benefício antes de emitir um parecer para a pasta da Saúde. Com efeito, o ministro Alexandre Padilha confirmou que o governo mantém negociações avançadas com a farmacêutica GSK para definir o volume de doses e garantir um preço acessível ao orçamento público. Portanto, a gestão federal priorizou a viabilidade financeira do insumo durante a abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro.
O governo descartou a aquisição de outra opção injetável, o lenacapavir, por considerar a proposta da farmacêutica Gilead inviável para o erário. Além disso, o país ficou de fora do acordo de licenciamento para produção de genéricos, gerando críticas de entidades como o Unaids. Consequentemente, o Ministério da Saúde optou por fechar contrato com a GSK, enquanto a Gilead estuda parcerias de transferência de tecnologia com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Vantagens da Aplicação Injetável Frente ao Tratamento Oral
O SUS já disponibiliza a PrEP em comprimidos diários para mais de 350 mil pessoas em todo o território nacional. Por sua vez, a versão injetável surge como uma alternativa crucial para aumentar a adesão dos pacientes que enfrentam dificuldades com a rotina diária de medicação. Dessa forma, pesquisas da Fiocruz revelaram que 83% dos participantes preferem a aplicação bimestral em vez dos comprimidos diários.
Os ensaios clínicos demonstraram, assim sendo, uma taxa de adesão de 94% no cumprimento dos prazos das injeções, registrando eficácia quase absoluta contra a infecção. Em suma, a chegada dessa nova tecnologia fortalece a política nacional de prevenção combinada contra o HIV. Logo, a inclusão do cabotegravir no SUS representa um avanço histórico para a saúde coletiva e para o controle da epidemia no país.












