
- 18 janeiro, 2026
Chuvas abaixo da média devem continuar e agravar a seca em São Paulo no início de 2026
São Paulo — As chuvas abaixo da média histórica registradas em janeiro na Região Metropolitana de São Paulo devem persistir ao longo do primeiro trimestre de 2026, portanto ampliando o quadro de seca e escassez hídrica no estado. Segundo dados oficiais, o cenário está diretamente ligado à atuação do fenômeno La Niña, que altera a circulação atmosférica e reduz a formação de sistemas de chuva.
Influência climática limita avanço das chuvas
De acordo com medições meteorológicas, a maioria das estações da Grande São Paulo apresenta volumes de chuva inferiores à média histórica para janeiro. Entretanto, o posto do Mirante de Santana, na zona norte da capital, é exceção e já superou o esperado para o mês.
Conforme explicam especialistas, a dificuldade no avanço de frentes frias vindas do Sul e da umidade do Atlântico e da Amazônia está associada à persistência do La Niña no Oceano Pacífico, fenômeno confirmado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Seca severa se mantém em quase todo o estado
Com isso, a condição de seca severa ou extrema segue predominante em São Paulo desde janeiro de 2024. Além disso, o Inmet já classificou 2025 como um ano seco, pois as chuvas do verão 2024–2025 não foram suficientes para recompor o armazenamento de água no solo.
Enquanto isso, apenas o norte do estado apresenta quadro menos crítico, ainda assim dentro da categoria de seca severa nos últimos 12 meses.
“No primeiro trimestre teremos chuva abaixo da média em toda a região entre o sul da mesorregião de Bauru, Itapetininga e a Região Metropolitana”, afirmou o meteorologista Leydson Dantas, do Inmet.
Possível alívio apenas no segundo semestre
Por outro lado, há expectativa de melhora gradual no segundo semestre, caso ocorra o enfraquecimento do La Niña. Segundo estimativa, esse cenário tem 75% de probabilidade, conforme a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).
Ao mesmo tempo, enquanto o fenômeno mantiver força, é prevista concentração excepcional de chuvas no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, além de áreas do Paraná, Santa Catarina, Argentina e Uruguai.
Reservatórios seguem em situação crítica
Nesse contexto, o monitoramento da Agência Nacional de Águas (ANA) aponta impactos imediatos em todo o estado e efeitos prolongados no noroeste e leste paulista.
Na sexta-feira (16), o Sistema Integrado Metropolitano, acompanhado pela Sabesp, registrou 27,7% da capacidade, nível semelhante ao observado em janeiro de 2016.
Situação dos principais mananciais
Sistema Cantareira: 19,39% do volume total, responsável por mais de 40% do abastecimento da região.
Jaguari–Jacareí: concentra cerca de 85% do Cantareira e opera com apenas 16,89% da capacidade.
Medidas emergenciais e restrições no abastecimento
Diante desse cenário, a Sabesp informou a adoção de estratégias como:
Ampliação da captação de água, especialmente no sistema Alto Tietê;
Investimentos em modernização de estações, tubulações e sistemas de bombeamento;
Redução ou suspensão do fornecimento noturno em áreas da Grande São Paulo desde agosto de 2025.
Ainda assim, a companhia reconhece a gravidade da crise. Segundo a empresa, a disponibilidade hídrica per capita na região é de 149 m³ por habitante ao ano, índice comparável ao de áreas semiáridas e muito abaixo das recomendações internacionais.
Monitor de Secas aponta cenário nacional
Por fim, o mais recente Monitor de Secas da ANA, com dados consolidados de dezembro, indica agravamento em áreas do Nordeste, partes de Minas Gerais e Goiás, além da manutenção de condições severas no norte, centro e noroeste de São Paulo. Inclusive, no Centro-Oeste, houve chuvas acima da média em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, embora persistam áreas de seca moderada e grave no território sul-mato-grossense.












