• 06 junho, 2026

Disputa Comercial: Entidades brasileiras rebatem Casa Branca sobre tarifas do etanol

Com o objetivo de defender a legitimidade das políticas comerciais do país, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Bioenergia Brasil reagiram firmemente nesta semana aos questionamentos do governo dos Estados Unidos. Dessa maneira, as organizações emitiram uma nota oficial conjunta para contrapor as críticas do Escritório do Representante Comercial norte-americano (USTR) a respeito do acesso do etanol estrangeiro ao mercado nacional. Nesse sentido, o setor sucroenergético brasileiro classifica a ofensiva de Washington como desproporcional.

Regras do Mercosul versus Protecionismo Americano

A princípio, as entidades reforçaram que a tarifa aplicada pelo Brasil sobre o etanol importado não configura uma retaliação ou barreira direcionada exclusivamente aos produtores norte-americanos. Portanto, o mecanismo de tributação segue rigorosamente as diretrizes e regras estabelecidas pela Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. Dessa forma, o documento expõe uma contradição histórica na postura de Washington em relação ao livre mercado:

  • Tarifas Proibitivas: O governo dos Estados Unidos mantém, há décadas, um sistema rígido de cotas que restringe a entrada do açúcar brasileiro.

  • Acesso Limitado: As barreiras americanas confinam as exportações de açúcar do Brasil a menos de 1% do volume total exportado pelo país.

  • Ameaça de Punição: Sob a alegação de práticas desleais, os EUA propõem agora uma nova tarifa punitiva de 25% sobre as importações brasileiras.

Vale ressaltar ainda que a ameaça americana baseia-se em uma investigação iniciada em julho de 2025. Consequentemente, o USTR classificou políticas brasileiras em diversas áreas — incluindo o comércio digital, a propriedade intelectual e o sucesso do Pix — como “irrazoáveis” e prejudiciais às empresas de matriz norte-americana.

O Papel do Biocombustível na Transição Energética

No que diz respeito ao mérito ecológico do produto, as entidades nacionais destacaram o protagonismo estratégico do etanol na agenda climática global. Dessa maneira, o biocombustível derivado da cana-de-açúcar é reconhecido internacionalmente pela sua alta eficiência e baixíssima intensidade de carbono. Nesse contexto, o setor argumenta que sancionar o etanol brasileiro representa um retrocesso no esforço mútuo de descarbonização dos transportes e redução dos gases de efeito estufa.

Além disso, a Unica e a Bioenergia Brasil defenderam veementemente que eventuais atritos comerciais não devem ser solucionados por vias unilaterais. Assim sendo, o diálogo diplomático técnico deve imperar para preservar a parceria comercial bilíngue que permanece histórica e altamente relevante para ambas as nações.

Confiança na Diplomacia Brasileira

Em suma, o posicionamento empresarial joga luz sobre o avanço do protecionismo das grandes potências econômicas diante do crescimento do agronegócio nacional. Afinal, o Brasil atua dentro das regras internacionais enquanto desenvolve tecnologias financeiras e energéticas de vanguarda. Logo, as indústrias reafirmam total confiança de que o Itamaraty e o governo federal conduzirão as negociações com a firmeza necessária para blindar os interesses estratégicos e a competitividade do país no exterior.

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