
Economia Global: Superávit comercial cresce 10,8% em maio impulsionado por soja e cobre
Com o objetivo de consolidar a trajetória de crescimento econômico neste primeiro semestre, o superávit da balança comercial brasileira registrou uma expansão significativa em maio de 2026. Dessa maneira, as exportações superaram as importações em US$ 7,823 bilhões no mês passado, conforme revelam os dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Nesse sentido, o resultado representa uma alta de 10,8% em relação ao mesmo período de 2025, posicionando o indicador como o quarto maior para meses de maio em toda a série histórica.
Desempenho Setorial e a Força das Commodities
A princípio, a movimentação financeira das aduanas brasileiras demonstra um aquecimento tanto na venda quanto na compra de mercadorias estrangeiras. Portanto, o faturamento total das exportações atingiu US$ 31,904 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 24,081 bilhões. Dessa forma, a análise detalhada dos setores da economia revela dinâmicas distintas de crescimento:
Agropecuária: Registrou alta de 9,8%, puxada principalmente pelo avanço de 14,6% nas vendas de soja e pelo crescimento expressivo do milho.
Indústria de Transformação: Avançou 9% em faturamento, impulsionada pelo aumento de 50,2% nos embarques de carne bovina fresca e congelada.
Indústria Extrativa: Apresentou uma leve retração de 1,9% no balanço geral, mesmo com o salto impressionante de 149,4% nas exportações de minério de cobre.
Vale ressaltar ainda que o petróleo bruto registrou uma queda de US$ 390,8 milhões no total exportado, motivada por uma redução de 42,1% no volume embarcado. Consequentemente, essa retração associa-se diretamente à alíquota temporária de 12% do Imposto de Exportação, adotada pelo governo federal em março para conter a escalada dos preços internos dos combustíveis.
Cenário Geopolítico e os Reflexos no Acumulado
No que diz respeito ao acumulado dos primeiros cinco meses de 2026, o saldo comercial do país já atinge a marca positiva de US$ 32,662 bilhões. Dessa maneira, este montante supera em 34,2% o resultado verificado no mesmo intervalo do ano passado. Nesse contexto, a alta nos preços internacionais das commodities, impulsionada pelos conflitos armados e tensões no Oriente Médio, acabou compensando as perdas de volume em setores tradicionais, como o mercado de café, que despencou 24,5%.
Além disso, as importações também cresceram, com destaque para a compra de bens de consumo duráveis. Assim sendo, o desembarque de automóveis de passageiros estrangeiros saltou 80,1% em maio, liderando a vertente de compras da indústria de transformação ao injetar US$ 833,5 milhões a mais no fluxo de entrada.
Projeções Anuais e Expectativas do Mercado
Quanto às estimativas para o encerramento do ano, o Mdic projeta um superávit comercial consolidado de US$ 72,1 bilhões até dezembro. Por conseguinte, a estimativa oficial aponta para uma expansão de 5,9% na comparação com o fechamento de 2025. Dessa forma, as previsões governamentais desenham o seguinte cenário para as trocas internacionais:
Exportações Totais: Devem encerrar o ano em US$ 364,2 bilhões.
Importações Totais: Previsão de alcançar US$ 280,2 bilhões.
Divergência de Mercado: As projeções do ministério mostram-se ligeiramente mais cautelosas do que o boletim Focus do Banco Central, que aposta em um saldo de US$ 76,2 bilhões devido à valorização do barril de petróleo.
Em suma, o resultado de maio reforça a resiliência do comércio exterior brasileiro diante das instabilidades globais. Afinal, o forte desempenho da agropecuária e do setor mineral garante a entrada contínua de divisas no país. Logo, os analistas aguardam a revisão trimestral detalhada que o Mdic divulgará em julho, a qual definirá se o Brasil terá fôlego para buscar novos recordes históricos na balança comercial ao longo do segundo semestre.












