• 11 fevereiro, 2026

Carnaval apresenta retorno econômico superior ao de setores industriais

O retorno econômico gerado por investimentos em cultura e artes, incluindo o Carnaval, supera o desempenho observado em setores tradicionais da indústria. Em entrevista durante sua passagem pelo Brasil, a economista Mariana Mazzucato destacou que os efeitos multiplicadores da maior festa popular do país vão muito além do entretenimento.

Segundo a pesquisadora, enquanto diversos segmentos industriais recebem aportes significativos, os investimentos em cultura demonstram resultados proporcionalmente mais expressivos.

“O investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional.”

Por exemplo, estudos apontam maior efeito multiplicador

No Brasil, dados de pesquisas econômicas indicam que cada real investido em cultura pode gerar retorno de R$ 7,59 para a sociedade. Em contrapartida, no setor de automóveis e caminhões, o impacto multiplicador alcança R$ 3,76.

Nesse sentido, Mazzucato reforça que as evidências econômicas já existem. No entanto, conforme observa, os governos ainda priorizam setores industriais tradicionais.

“As evidências estão aí. Não é verdade que não temos relatórios econômicos demonstrando isso.”

Além disso, Carnaval fortalece redes e oportunidades

Para a economista, o Carnaval representa um microcosmo da economia criativa. Embora ocorra em período específico, a cadeia produtiva mobiliza atividades ao longo de todo o ano.

Além da geração de empregos e renda, a festa estimula o desenvolvimento de habilidades, amplia redes de contato e fortalece a autoestima de milhares de participantes.

“Mais do que falar de turismo, hotéis ou consumo, é fundamental compreender o impacto social das redes, das escolas e do senso de identidade.”

Da mesma forma, efeitos atingem bem-estar e saúde mental

Outro aspecto destacado envolve os benefícios sociais e emocionais proporcionados pela cultura. De acordo com Mazzucato, o investimento em artes e manifestações culturais contribui para o bem-estar coletivo.

Consequentemente, tais iniciativas fortalecem a coesão social, ampliam o senso de pertencimento e, em muitos casos, impactam positivamente comunidades vulneráveis.

Por outro lado, economista alerta para concentração de renda

Apesar dos efeitos positivos, Mazzucato ressalta que o modelo econômico da festa exige atenção. Segundo ela, é necessário avaliar como os recursos circulam dentro do ecossistema carnavalesco.

“Quem tem acesso ao Carnaval? Para onde vai o dinheiro? Os patrocínios retornam às comunidades?”

Nesse contexto, a economista defende que políticas públicas bem estruturadas podem ampliar os benefícios econômicos e sociais da festa.

Enquanto isso, cultura surge como eixo estratégico de desenvolvimento

Durante reuniões com gestores públicos, Mazzucato reforçou que a economia criativa pode ocupar papel central nas estratégias de crescimento.

Ao invés de tratar cultura como elemento periférico, a pesquisadora propõe que o setor seja reconhecido como vetor de desenvolvimento econômico sustentável.

“A questão principal é: em que estamos investindo?”

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