• 24 fevereiro, 2026

Juventude indígena participa de forma inédita de fórum para renovação do Plano Estadual em MS

Pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, a juventude indígena participou oficialmente do Fórum Regional de Juventude. Além disso, a iniciativa percorre o Estado com o objetivo de ouvir jovens e construir propostas que irão subsidiar a renovação do Plano Estadual da Juventude. Nesse cenário, a escuta inédita ocorreu durante a IX Assembleia da Juventude Terena – “Guardiões da memória, construtores do amanhã”.

O encontro foi realizado em 7 de fevereiro, na Aldeia Cachoeirinha, Terra Indígena Cachoeirinha. Ao mesmo tempo, a atividade integrou o Circuito Avança Juventude. Por sua vez, a ação foi promovida pela Secretaria de Estado da Cidadania, por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Juventude, com apoio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários.

Em parceria com o Conselho Estadual da Juventude e com a própria Assembleia da Juventude Terena, o fórum marcou um avanço relevante. Mais do que isso, simbolizou uma mudança institucional importante: a decisão de levar o debate diretamente aos territórios.

Ao todo, 114 jovens das etnias Terena, Kinikinau, Guarani (Kaiowá e Ñandeva) e Kadiwéu participaram das discussões. Como resultado, mais de 30 propostas foram construídas coletivamente. Consequentemente, as contribuições passam agora a integrar o relatório oficial do Plano Estadual.

Escuta histórica e avanço nas políticas públicas

O subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz, destacou o caráter histórico da iniciativa. Segundo ele, a escuta amplia o alcance das políticas públicas e fortalece a participação social. Desde então, o Governo do Estado vem intensificando o diálogo com diferentes juventudes.

“Foi um grande avanço das políticas públicas para a juventude. Principalmente, ouvir a juventude indígena teve enorme significado. Na prática, é descer do gabinete, ir até a ponta e transformar essa fala em plano, em decreto e em política pública efetiva”, afirmou.

Protagonismo indígena e construção coletiva

Para os próprios jovens, o espaço consolidou um movimento que já vinha sendo construído dentro das comunidades. De acordo com o coordenador da Juventude Terena, Jean Carlos, o encontro representa um ambiente essencial de articulação.

“A assembleia é um movimento onde discutimos educação, saúde, cultura e políticas públicas. Além disso, recebemos jovens de diferentes povos indígenas. Ou seja, é um espaço de debate da juventude indígena do Estado”, explicou.

Nesse sentido, Jean ressaltou que a presença do Governo do Estado dentro da aldeia fortalece a construção conjunta de soluções. Para ele, o diálogo direto amplia oportunidades e garante maior efetividade às ações.

“A participação do governo é fundamental. Por exemplo, conseguimos discutir acesso ao ensino superior, saúde mental e projetos voltados à realidade das comunidades. Portanto, ir até os territórios faz toda a diferença”, destacou.

Durante o Fórum, os jovens apresentaram propostas relacionadas à ampliação da representatividade indígena. Entre as pautas, destacaram-se o acesso a espaços institucionais, eventos esportivos e políticas estruturantes.

Experiência transformadora e conexão entre tradição e políticas públicas

A comunicadora Nadiely Vitória De Matos Benites avaliou a experiência como transformadora. Para ela, o encontro proporcionou um ambiente rico de escuta, aprendizado e construção coletiva.

“A Assembleia foi muito positiva. Sobretudo, pela diversidade de temas e pela valorização cultural. Ao mesmo tempo, discutimos acesso ao ensino superior, saúde mental e políticas pensadas a partir dos territórios”, afirmou.

Segundo Nadiely, um dos momentos mais marcantes foi a conexão entre tradição e políticas públicas. Por exemplo, a oficina de cerâmica tradicional evidenciou a força dos saberes ancestrais.

“O que eu mais gostei foi observar como educação, cultura e políticas públicas se conectaram. Além disso, os debates trouxeram reflexões importantes sobre acesso, permanência no ensino superior e saúde mental”, destacou.

Escuta estruturada e fortalecimento institucional

A metodologia do Fórum foi organizada em três etapas. Inicialmente, ocorreu uma plenária de abertura. Em seguida, os participantes foram divididos em grupos temáticos. Por fim, uma plenária final consolidou as propostas.

Os debates foram distribuídos em cinco eixos estratégicos. Entre eles, destacaram-se educação, cultura, participação social, sustentabilidade e saúde mental.

O técnico Heliton Cavanha reforçou a relevância da escuta direta. Segundo ele, ouvir os jovens permite alinhar políticas públicas às realidades locais.

“Foi muito produtivo. Principalmente, porque os jovens trouxeram demandas concretas sobre cultura, esporte e lazer. Assim, fortalecemos não apenas a juventude, mas o futuro dos territórios”, afirmou.

Nova etapa na formulação de políticas públicas

O Fórum Regional de Juventude integra o processo de renovação do Plano Estadual. Ao longo de 2025, sete fóruns regionais foram realizados. Agora, em 2026, a edição voltada às juventudes indígenas amplia a representatividade.

Ao levar o debate para dentro da aldeia, o Estado inaugura uma nova etapa na formulação de políticas públicas. Dessa forma, a juventude indígena deixa de ser apenas destinatária das ações. Em vez disso, passa a atuar como autora das propostas que irão orientar o planejamento estadual.

Veja outras notícias

Acompanhe no instagram