• 09 março, 2026

Insegurança ainda impede 62% das mulheres de viajarem sozinhas

Cada vez mais mulheres brasileiras demonstram interesse em viajar sozinhas. No entanto, a insegurança ainda representa um dos principais obstáculos. De acordo com pesquisa do Ministério do Turismo em parceria com a Unesco, cerca de 62% das mulheres já deixaram de viajar sozinhas por questões de segurança.

Ao mesmo tempo, o levantamento revela que quatro em cada dez brasileiras já realizaram viagens solo. Assim, o dado indica que, gradualmente, mais mulheres se sentem encorajadas a explorar novos destinos por conta própria.

Pesquisa aponta desafios enfrentados por viajantes solo

O estudo entrevistou 2.712 mulheres e analisou suas experiências ao viajar desacompanhadas. Além disso, os resultados mostram que 61% das participantes já vivenciaram situações que geraram sensação de insegurança durante uma viagem.

Nesse contexto, especialistas destacam que o problema envolve fatores estruturais que influenciam a forma como as mulheres se deslocam e ocupam os espaços turísticos.

Além disso, a preocupação com a segurança é ainda maior entre mulheres negras e indígenas. Segundo a pesquisa, 65,35% das entrevistadas que se identificam como pretas, pardas ou indígenas afirmaram já ter desistido de viajar por medo ou insegurança.

Mulheres pedem mais segurança e informação

Quando questionadas sobre o que aumentaria a sensação de segurança durante viagens, muitas entrevistadas apontaram medidas concretas.

Primeiramente, 29,3% das mulheres pediram maior presença policial e mais câmeras de segurança nos destinos turísticos. Além disso, 21% solicitaram melhorias na infraestrutura de transporte e hospedagem.

Por outro lado, 17% afirmaram que se sentiriam mais seguras se houvesse mais informações direcionadas às mulheres que viajam sozinhas. Da mesma forma, 16% disseram que a presença de mais profissionais mulheres no setor de turismo transmitiria maior acolhimento e confiança.

Experiência de viajar sozinha é vista como libertadora

Apesar das preocupações, muitas mulheres descrevem as viagens solo como experiências positivas. Segundo a pesquisa, 31,4% das mulheres que já viajaram sozinhas fazem isso com frequência, geralmente a cada alguns meses.

Além disso, o perfil das viajantes mostra que 35% têm entre 35 e 44 anos, enquanto 22% estão entre 45 e 54 anos. Em muitos casos, essas fases da vida estão associadas a maior estabilidade financeira e autonomia pessoal.

Outro dado relevante aponta que 68% dessas mulheres não têm filhos, o que pode facilitar a decisão de viajar sozinha.

Motivações vão do lazer ao autoconhecimento

Entre as principais motivações para viajar sozinha, 73% das entrevistadas apontaram o lazer como principal razão. Além disso, 65% afirmaram buscar experiências que reforcem a independência e a liberdade.

Por outro lado, 41% disseram viajar para promover o autoconhecimento, enquanto 38% realizam viagens solo por compromissos profissionais.

Quanto às atividades preferidas, o interesse por programações culturais, como visitas a museus e centros históricos, aparece em 68% das respostas. Em seguida, surgem o ecoturismo (64%), experiências de bem-estar (44,9%), participação em eventos e festivais (36,6%) e gastronomia (30,1%).

Sudeste e Nordeste lideram destinos visitados

Uma parcela significativa das entrevistadas, cerca de 36%, costuma viajar sozinha apenas dentro do Brasil.

Nesse cenário, as regiões mais visitadas são:

  • Sudeste (73%)

  • Nordeste (66%)

  • Sul (50%)

  • Centro-Oeste (37%)

  • Norte (30%)

Guia busca tornar turismo feminino mais seguro

Para enfrentar os desafios apontados pela pesquisa, o Ministério do Turismo lançou o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, disponível na internet.

Além de apresentar os dados do estudo, a publicação reúne orientações para gestores públicos, empresas do setor turístico e viajantes, com o objetivo de promover um turismo mais seguro, inclusivo e acolhedor.

Segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a iniciativa reforça o direito das mulheres de circular com liberdade.

“Esse guia reconhece que a mulher tem o direito de viajar pelo Brasil e pelo mundo sem que o medo seja seu principal companheiro de viagem”, afirmou.

Iniciativa integra política de igualdade de gênero

De acordo com o Ministério do Turismo, o guia faz parte da agenda de turismo responsável e está alinhado ao Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, além de dialogar com iniciativas internacionais de promoção da igualdade de gênero.

Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a publicação representa uma política pública importante para garantir o direito de ir e vir.

“Trata-se de uma afirmação clara de que o turismo brasileiro cresce com responsabilidade social e com respeito às mulheres”, destacou.

Anteriormente, o ministério já havia lançado o Guia com Dicas para Atender Bem Turistas Mulheres, voltado principalmente ao setor de serviços turísticos.

Frase-Chave: Uma política pública.

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