
- 13 março, 2026
Mato Grosso do Sul lidera crescimento da indústria de transformação no Brasil
Mato Grosso do Sul vem consolidando, de forma cada vez mais evidente, uma nova matriz produtiva e ampliando sua presença no cenário industrial brasileiro. Nos últimos dez anos, o Estado passou por uma transformação estrutural significativa. Antes dependente quase exclusivamente da agropecuária, agora também se destaca nacionalmente na agroindústria e na indústria de transformação.
Como resultado desse processo, Mato Grosso do Sul passou a liderar o crescimento da indústria de transformação no país.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Valor da Transformação Industrial (VTI) cresceu 179% em uma década, saltando de R$ 12,2 bilhões para R$ 34 bilhões. Com isso, o Estado registrou a maior variação entre todas as unidades da federação.
Esse indicador mede a riqueza gerada pela atividade industrial, pois considera a diferença entre o valor da produção e o custo dos insumos utilizados no processo produtivo.
Estratégia de desenvolvimento impulsiona crescimento industrial
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, esse desempenho não ocorreu por acaso. Pelo contrário, ele resulta de uma estratégia de desenvolvimento estruturada ao longo dos últimos anos.
Nesse sentido, o governo estadual apostou em três pilares principais:
agregação de valor à produção primária
fortalecimento da agroindústria
incorporação da agenda verde ao desenvolvimento econômico
Além disso, a estratégia também combina inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e atração de investimentos privados, criando um ambiente favorável para a expansão industrial.
Ao mesmo tempo, Mato Grosso do Sul vem se consolidando como um dos protagonistas nacionais na transição energética, especialmente por meio da produção de bioenergia.
Produção de bioenergia reforça protagonismo do Estado
Atualmente, o Estado ocupa posições estratégicas no ranking nacional da bioenergia. Hoje, Mato Grosso do Sul é:
4º maior produtor de etanol do Brasil
5º maior produtor de açúcar
2º maior produtor de etanol de milho
Dessa forma, o setor sucroenergético se tornou um dos pilares do desenvolvimento econômico estadual.
Atualmente, o Estado possui 22 usinas em operação, sendo três voltadas à produção de etanol de milho, além de outras três novas unidades em implantação.
Paralelamente, o governo estadual mantém diálogo permanente com o setor produtivo, por meio da Semadesc e da Biosul, com o objetivo de garantir um ambiente de negócios competitivo e sustentável.
Agenda verde e meta de carbono neutro até 2030
Ao mesmo tempo em que amplia sua industrialização, Mato Grosso do Sul também fortalece sua agenda ambiental.
Nesse contexto, o Estado assumiu o compromisso de se tornar território carbono neutro até 2030.
Para isso, o setor sucroenergético já conta com uma plataforma própria de monitoramento de emissões e remoções de gases de efeito estufa, chamada Carbon Control.
Assim, o sistema permite acompanhar com precisão o impacto ambiental das atividades produtivas e reforça o compromisso com uma economia de baixo carbono.
Ambiente de negócios favorece novos investimentos
Para o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, o desempenho econômico recente está diretamente ligado à construção de um ambiente favorável aos investimentos.
Segundo ele, diversas entidades atuam de forma integrada para atrair empresas e apoiar novos empreendimentos.
Entre elas estão:
Fiems
Famasul
Fecomércio
Sistema S
Graças a esse trabalho conjunto, Mato Grosso do Sul reúne atualmente cerca de R$ 90 bilhões em investimentos privados em diferentes áreas da economia.
“Estamos construindo há muito tempo esse ambiente de negócios em Mato Grosso do Sul. Hoje temos cerca de R$ 90 bilhões em investimentos privados em várias áreas”, afirmou Longen.
Diversificação produtiva fortalece economia estadual
Além do crescimento industrial, o Estado também avançou significativamente na diversificação produtiva.
Antigamente, a economia sul-mato-grossense era fortemente baseada na produção de grãos. Entretanto, ao longo dos anos, novas cadeias produtivas passaram a ganhar espaço.
Hoje, Mato Grosso do Sul também se destaca na produção de:
etanol de milho
açúcar
biomassa para geração de energia
biocombustíveis
carne bovina, suína e de aves
pescado
amendoim
Consequentemente, essa diversificação fortalece o conceito da indústria do agro, que consiste em transformar a produção agrícola local em produtos industrializados com maior valor agregado.
Empresas exemplificam avanço industrial do Estado
O crescimento industrial de Mato Grosso do Sul também pode ser observado na trajetória de empresas que se instalaram e ampliaram suas operações no Estado.
Metalfrio consolida operação em Três Lagoas
Um dos exemplos mais representativos é a Metalfrio, empresa brasileira que figura entre as líderes mundiais no setor de refrigeração comercial.
A companhia iniciou suas operações em Três Lagoas em 2005. Posteriormente, ampliou a produção em outras duas fases, até transferir completamente as atividades que antes funcionavam em São Paulo.
Segundo o executivo Luiz Eduardo M. Caio, a decisão de investir no Estado ocorreu por diversos fatores estratégicos.
Entre eles destacam-se:
infraestrutura logística
disponibilidade de mão de obra
incentivos fiscais
apoio dos governos estadual e municipal
Atualmente, a unidade possui capacidade para produzir até 500 mil equipamentos por ano, abastecendo todo o mercado brasileiro e também países do Mercosul.
Além disso, a operação gera mais de mil empregos diretos, contribuindo diretamente para a diversificação econômica do Estado.
Usina Sonora fortalece economia regional
Outro exemplo importante da transformação econômica é a Usina Sonora, localizada no município de Sonora, no norte de Mato Grosso do Sul.
Fundada em 1976, com a primeira safra em 1979, a unidade se tornou um dos principais vetores de desenvolvimento regional.
Atualmente, a empresa produz:
150 mil toneladas de açúcar bruto por ano
90 mil metros cúbicos de etanol anuais
Além disso, a usina também investe na diversificação da matriz energética.
Entre as fontes utilizadas estão:
biomassa da cana-de-açúcar
energia hidrelétrica
energia solar
Dessa forma, a empresa reforça seu compromisso com a sustentabilidade e com a transição para uma economia de baixo carbono.
Atualmente, a Usina Sonora emprega cerca de 1.800 trabalhadores, além de impulsionar o comércio local e apoiar projetos sociais e comunitários.
Estado vive ciclo consistente de industrialização
Diante desse cenário, Mato Grosso do Sul consolida um novo ciclo de desenvolvimento econômico, marcado pela industrialização, inovação e sustentabilidade.
Ao mesmo tempo, a combinação entre agroindústria, bioenergia e diversificação produtiva fortalece a economia estadual e amplia sua competitividade no cenário nacional.
Assim, a expectativa é que o Estado continue atraindo novos investimentos e se consolide cada vez mais como um dos principais polos da indústria do agro no Brasil.
Agência de Notícias-MS.












