
Parceria entre Agepen e Senai capacita mulheres egressas e pré-egressas em MS para geração de renda na Páscoa
Uma parceria entre a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) levou capacitação profissional a mulheres pré-egressas e egressas do sistema prisional em Campo Grande. A iniciativa, voltada à geração de renda e à reconstrução de trajetórias de vida, teve como foco a promoção de autonomia financeira e o fortalecimento da reinserção social.
Além disso, por meio do Escritório Social de Campo Grande, foi realizado o Curso de Confecção de Ovos de Páscoa e Trufas, que reuniu 16 participantes do Estabelecimento Penal Feminino em Regime Semiaberto e Aberto, além de egressas do sistema prisional. Dessa forma, a ação amplia oportunidades concretas de qualificação em uma área com potencial de renda, especialmente no período da Páscoa.
Curso gratuito oferece qualificação rápida e certificado
Totalmente gratuito e com carga horária de 8 horas/aula, o curso oferece certificação e, ao mesmo tempo, busca proporcionar uma formação rápida em um segmento com boas possibilidades de retorno financeiro.
Nesse sentido, a proposta é preparar as participantes para atuar em uma atividade que pode gerar renda imediata. Além do período sazonal da Páscoa, o conhecimento adquirido também pode ser aproveitado ao longo do ano em diferentes áreas da confeitaria.
Participantes aprendem técnicas para produção profissional de chocolates
De acordo com a instrutora de confeitaria e panificação do Senai, Miriel Isadora Miranda Moraes, as participantes aprendem técnicas fundamentais para a produção profissional de chocolates.
Segundo ela, o conteúdo inclui desde as etapas básicas até formas mais elaboradas de preparo.
“Elas estão aprendendo desde o derretimento correto do chocolate, controle de temperatura e escolha do tipo adequado de chocolate, até as diferentes formas de produção, como ovos de colher, ovos trufados e trufas”, explica.
Além disso, durante a capacitação também são apresentadas diferentes possibilidades de recheios e combinações de sabores, entre elas:
paçoca
beijinho
brigadeiro de chocolate
doce de leite
Dessa maneira, o curso amplia o repertório técnico das participantes e abre possibilidades de personalização dos produtos.
Conhecimento pode ser aplicado durante todo o ano
Ainda segundo a instrutora, as técnicas ensinadas não se limitam à produção de ovos de Páscoa. Pelo contrário, elas também podem ser aproveitadas em outras frentes da confeitaria.
Assim, o aprendizado pode ser aplicado na produção de:
trufas
bolos
tortas
cupcakes
outros produtos de confeitaria
Com isso, a capacitação deixa de ser apenas uma oportunidade sazonal e passa a representar uma alternativa contínua de geração de renda.
“Essas técnicas podem ser utilizadas para fazer trufas, bolos, tortas, cupcakes e diversos outros produtos. A trufa, por exemplo, é uma ótima fonte de renda e pode ser vendida o ano inteiro”, destaca Miriel, que atua há cerca de dez anos na área.
Curso destaca potencial de lucro no período da Páscoa
Além da qualificação técnica, o curso também evidencia o potencial de retorno financeiro para quem deseja empreender. Conforme a instrutora, a margem de lucro na produção pode chegar a 100%, sendo considerada uma das melhores oportunidades de renda no período da Páscoa.
Além disso, a estimativa apresentada aponta que, em cerca de um mês de vendas, uma pessoa organizada e que se antecipe à produção pode alcançar até R$ 3 mil de lucro líquido.
Portanto, a capacitação também funciona como estímulo ao empreendedorismo, especialmente para mulheres que precisam de uma fonte de renda rápida e acessível.
Qualificação profissional fortalece ressocialização e autonomia
Para a diretora do Escritório Social, em substituição legal, a policial penal Rozimeire Zeferino, a oferta de cursos profissionalizantes é uma das estratégias mais importantes para promover a reinserção social de pessoas que passaram pelo sistema prisional.
Segundo ela, a qualificação técnica amplia possibilidades de autonomia, dignidade e reconstrução de vida, especialmente no caso de mulheres que precisam sustentar a família.
“Os cursos são um dos pilares da ressocialização, porque proporcionam autonomia financeira e dignidade. Muitas mulheres que deixam o sistema prisional são chefes de família e precisam de uma forma rápida de gerar renda. Capacitações em áreas como gastronomia, serviços gerais e estética ampliam essas oportunidades, seja por meio do emprego formal ou do empreendedorismo”, afirma.
Além disso, Rozimeire destaca que realizar as capacitações fora do ambiente prisional contribui para fortalecer o sentimento de pertencimento social.
“O aprendizado de um novo ofício ajuda a reconstruir a identidade da mulher e a desenvolver a percepção de que ela é capaz de produzir, trabalhar e ocupar seu espaço na sociedade”, completa.
Participantes enxergam nova chance de trabalho e futuro
Entre as participantes está Kelly Cristina Tavares Oliveira, de 45 anos, que atualmente cumpre pena no regime semiaberto e trabalha no Escritório Social. Apaixonada por confeitaria desde a juventude, ela afirma que vê na capacitação uma oportunidade de transformar habilidade em profissão.
Segundo Kelly, a falta de qualificação técnica dificultava a obtenção de lucro com os produtos que fazia. Agora, com o aprendizado, ela acredita que poderá dar um passo mais seguro em direção ao próprio negócio.
“Sempre gostei de fazer bolo desde os 12 anos, mas nunca tive qualificação técnica. Eu sabia fazer, mas não tinha as medidas certas e acabava não tendo lucro. Agora estou aprendendo tudo direitinho e isso vai me ajudar muito. Meu sonho é montar meu próprio negócio e trabalhar com doces, bolos e salgados”, conta.
Outra participante é Miriel Moraes, de 53 anos, que já tem experiência profissional na área gastronômica e atuou como chef em restaurantes de Campo Grande, inclusive em estabelecimentos de culinária oriental.
Para ela, a capacitação amplia horizontes e abre novas possibilidades de atuação.
“Doce nunca foi muito a minha praia, mas uma chef completa precisa saber fazer de tudo. Esse curso está abrindo portas, porque além de aprender algo novo, também é uma oportunidade de renda. A gente pode vender trufas o ano inteiro e reinventar receitas a partir do que aprendemos aqui”, relata.
Parceria amplia perspectivas de futuro para mulheres em MS
Para a direção da Agepen, iniciativas como essa reforçam o papel da qualificação profissional no processo de reinserção social. Mais do que oferecer conhecimento técnico, a proposta também cria novas perspectivas de futuro e fortalece a busca por autonomia econômica.
Assim, a parceria entre Agepen e Senai se consolida como uma ação que une capacitação, geração de renda e reconstrução de trajetórias, ampliando oportunidades para mulheres que buscam recomeçar.
Comunicação Agepen.












