
Transporte aéreo agiliza transplantes e salva vidas em MS
Garantir uma nova chance de vida para pacientes que aguardam transplantes em Mato Grosso do Sul exige agilidade, precisão e integração. Nesse cenário, cada minuto faz diferença — e, justamente por isso, o transporte aéreo de órgãos se tornou peça-chave nesse processo.
Para viabilizar a captação e o deslocamento dos órgãos, o Governo do Estado, por meio da CTA (Coordenadoria de Transporte Aéreo), vinculada à Casa Militar, e da Segov (Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica), mantém equipes e aeronaves prontas para atuação em todo o território nacional.
Agilidade que salva vidas
O transporte aéreo garante rapidez tanto no deslocamento das equipes médicas quanto na entrega dos órgãos aos pacientes. Além disso, o trabalho conta com pilotos altamente capacitados, preparados para atender ocorrências em qualquer horário.
Na última segunda-feira (24), por exemplo, a equipe realizou a décima captação de órgãos de 2026, envolvendo fígado e rins, com apoio da estrutura aérea estadual. Ao mesmo tempo, os números mostram a evolução do serviço: desde 2023, já foram realizadas 39 missões, sendo 19 apenas no último ano.
Além de Mato Grosso do Sul, as operações já ocorreram em diferentes estados, como Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Rondônia. Dessa forma, a atuação ultrapassa fronteiras e amplia significativamente as chances de compatibilidade entre doadores e receptores.
Integração entre equipes é essencial
Segundo o coronel Marcos Paulo Gimenez, chefe da Casa Militar e responsável pela CTA, a atuação integrada garante eficiência nas operações:
“É um convênio que funciona muito bem. Já salvamos várias vidas transportando equipes de transplante. Atuamos sempre que há compatibilidade entre órgão e paciente, independentemente do dia ou horário”.
Nesse sentido, a parceria entre logística aérea e equipes médicas se torna determinante para o sucesso dos procedimentos.
O médico cirurgião Gustavo Rapassi, responsável pelos transplantes de fígado, rins e pâncreas no Estado, reforça esse ponto:
“Os órgãos nem sempre encontram receptores na mesma região. Por isso, precisamos desse apoio para vencer grandes distâncias. Sem o transporte aéreo, muitas captações simplesmente não seriam possíveis”.
Operação rápida e precisa
Enquanto as equipes médicas se mobilizam para a captação e o transplante, os pilotos entram em ação com rapidez e planejamento. Em geral, as missões começam cerca de uma hora após o acionamento.
O delegado da Polícia Civil e piloto da CTA, Enilton Zalla, explica:
“Podemos ser chamados a qualquer momento. Em até uma hora, estamos prontos. A partir daí, avaliamos as condições de voo e iniciamos a missão. É uma operação que exige precisão e rapidez”.
Além disso, o tenente da Polícia Militar, Avyner Falcão, destaca o impacto humano do trabalho:
“É uma experiência única. Participar dessas missões é extremamente gratificante, porque sabemos que estamos ajudando a salvar vidas”.
Doação de órgãos: decisão que transforma vidas
Para além da logística e da tecnologia, o processo depende de um fator essencial: a doação de órgãos. Por isso, profissionais envolvidos nas operações reforçam a importância da conscientização.
Com sete anos de experiência nas missões, Zalla faz um apelo:
“Incentivem suas famílias a serem doadoras. Mesmo em um momento difícil, essa decisão pode salvar outras vidas”.
Ele também relembra um caso marcante:
“Houve um paciente que tentou o transplante 12 vezes sem sucesso. Na 13ª tentativa, deu certo. Esse tipo de história mostra o quanto vale a pena”.
Tempo é decisivo
O tempo de transporte influencia diretamente no sucesso do transplante. Por consequência, quanto mais rápido o deslocamento, maiores são as chances de êxito.
Segundo o cirurgião Gustavo Rapassi:
“Os pacientes estão, muitas vezes, em situação crítica. Se perdem uma oportunidade por falta de transporte, não sabemos se terão outra chance. Por isso, esse apoio é essencial”.
Compromisso com a vida
Em síntese, o transporte aéreo de órgãos em Mato Grosso do Sul representa mais do que logística — trata-se de um esforço conjunto que une tecnologia, estratégia e humanidade.
Assim, ao integrar equipes, reduzir distâncias e otimizar o tempo, o Estado fortalece a rede de transplantes e amplia as chances de vida para quem mais precisa.












