
Juros e Consumo: Como a Selic e o Spread Bancário impulsionam o endividamento no Brasil
Com o objetivo de oferecer um fôlego financeiro à população, o governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil nesta semana. Dessa maneira, a iniciativa tenta combater um cenário crítico onde a elevada taxa Selic, somada aos maiores spreads bancários do mundo, pressiona o orçamento doméstico. Nesse sentido, economistas alertam que o custo do crédito no país tornou-se um obstáculo real para o funcionamento da economia, dificultando o pagamento de dívidas básicas e forçando as famílias a buscarem novos empréstimos para quitar débitos anteriores.
O Peso do Spread Bancário no Bolso do Cidadão
A princípio, é fundamental entender que o spread representa a diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o que ele cobra ao emprestar. Portanto, no Brasil, esse indicador atingiu a marca de 34,6 pontos percentuais em março, um valor consideravelmente superior à média mundial de 6 pontos. Dessa forma, o país consolida-se em uma posição desconfortável no ranking global:
Liderança Global: O Brasil ostenta o maior spread do planeta, superando nações em crise severa ou em desenvolvimento.
Juros Reais: O país ocupa o segundo lugar mundial em taxas de juros reais (9,3%), ficando atrás apenas da Rússia.
Diferença por Perfil: Enquanto as empresas pagam uma taxa média de 24%, as famílias enfrentam juros de 61% ao ano.
Vale ressaltar ainda que as instituições financeiras justificam o alto spread devido ao risco de inadimplência. Consequentemente, cria-se um ciclo vicioso: os juros sobem para cobrir o risco, mas são justamente esses juros altos que impedem o cidadão de pagar a conta.
A “Bola de Neve” do Endividamento Familiar
No que diz respeito ao impacto social, os dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revelam uma nova máxima histórica. Dessa maneira, 80% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida em 2026. Nesse contexto, a situação é ainda mais grave para quem ganha até três salários mínimos:
Orçamento Comprometido: Grande parte do endividamento ocorre para cobrir despesas básicas, como saúde e alimentação.
Efeito Cascata: Com a Selic em 14,5%, as taxas de juros no varejo, especialmente no rotativo do cartão de crédito, podem ultrapassar 400% ao ano.
Precarização do Trabalho: A falta de renda recorrente obriga o trabalhador a recorrer ao crédito para completar o mês.
Além disso, a professora Maria de Lourdes Mollo (UnB) destaca que o crédito caro atua como um freio na economia. Assim sendo, sem capacidade de consumo, a indústria e o comércio também perdem força, gerando um ambiente de estagnação.
Novo Desenrola: Uma Janela de Oportunidade
Quanto à resposta do governo, a nova fase do programa Desenrola busca romper esse ciclo de inadimplência. Por conseguinte, a estratégia foca na renegociação direta com condições facilitadas. Dessa forma, os principais benefícios incluem:
Descontos Agressivos: Redução de até 90% no valor total da dívida.
Uso do FGTS: Possibilidade de utilizar o saldo do fundo de garantia para abater débitos.
Público Amplo: Inclusão de estudantes do Fies e pequenos empreendedores nesta etapa de 90 dias.
Em suma, o sucesso do programa depende de um equilíbrio entre o alívio imediato e a manutenção de taxas de juros mais saudáveis a longo prazo. Afinal, limpar o nome do cidadão é apenas o primeiro passo para restaurar seu poder de compra. Logo, a expectativa é que a medida libere o orçamento das famílias e injete um novo estímulo na atividade econômica nacional.












