• 12 maio, 2026

Crise Energética: Brasil dobra importação de diesel da Rússia após fechamento do Estreito de Ormuz

Com o objetivo de garantir o abastecimento nacional em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio, o Brasil intensificou drasticamente a compra de diesel da Rússia e dos Estados Unidos. Dessa maneira, após o fechamento do Estreito de Ormuz em março, o país precisou buscar alternativas rápidas para suprir a suspensão do fornecimento vindo do Golfo Pérsico. Nesse sentido, dados do sistema Comex Stat revelam que a dependência do combustível russo mais do que dobrou em apenas dois meses, consolidando a Rússia como o principal parceiro energético neste momento de crise.

A Nova Configuração das Importações

A princípio, a participação russa nas importações de diesel atingiu patamares históricos. Portanto, entre março e abril, o Brasil desembolsou US$ 1,76 bilhão com o combustível, sendo que mais de 81% desse montante foi destinado ao mercado russo. Dessa forma, o desenho das compras externas ficou configurado da seguinte maneira:

  • Rússia: Liderança absoluta com US$ 1,43 bilhão em vendas para o Brasil.

  • Estados Unidos: Segundo maior fornecedor, com uma fatia de 6,42% (US$ 112,92 milhões).

  • Oriente Médio: Queda drástica no fornecimento, restando apenas cargas que já estavam em trânsito antes do bloqueio naval.

Vale ressaltar ainda que, somente no mês de abril, a dependência russa saltou para quase 90% do total importado. Consequentemente, o valor pago ao país saltou de US$ 433 milhões em fevereiro para quase US$ 1 bilhão em abril, evidenciando a urgência do mercado brasileiro em garantir estoques.

Medidas Governamentais para Conter Preços

No que diz respeito à proteção do consumidor final, o governo federal implementou um pacote de socorro financeiro para evitar o repasse integral da alta do barril. Dessa maneira, por meio de Medida Provisória e Decretos, foram estabelecidas estratégias para reduzir o preço na bomba. Nesse contexto, as principais ações incluem:

  1. Subsídios Diretos: Destinação de R$ 10 bilhões para auxiliar na importação e comercialização do diesel.

  2. Isenção de Impostos: O presidente Lula zerou o PIS e a Cofins para o combustível, gerando uma redução de R$ 0,32 por litro na refinaria.

  3. Compensação de Receita: O governo utiliza o crescimento na arrecadação de royalties de petróleo, impulsionado pela alta cotação internacional, para cobrir os custos das desonerações.

Além disso, foi criado um programa de subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido em refinarias nacionais. Assim sendo, o objetivo é equilibrar os custos de produção interna com o cenário volátil do mercado externo.

O Papel do ICMS e a Adesão dos Estados

Quanto à articulação com os governos estaduais, a equipe econômica lançou um programa compartilhado para reduzir o ICMS sobre o diesel importado. Por conseguinte, a União e os estados dividem o custo desse subsídio, que permite um alívio adicional de R$ 1,20 por litro para o motorista. Dessa forma, embora quase todas as unidades da federação tenham aderido ao acordo, Rondônia permanece como a única exceção até o momento.

Em suma, o Brasil tenta navegar pela instabilidade geopolítica utilizando uma combinação de diversificação de fornecedores e forte intervenção fiscal. Afinal, o fechamento de rotas estratégicas no Oriente Médio exige que o Estado atue como um amortecedor para evitar que a inflação de energia paralise a economia nacional. Logo, a manutenção desses subsídios dependerá diretamente da evolução do conflito e da capacidade de o país sustentar o fluxo de diesel vindo de novas frentes, como a russa e a norte-americana.

Frase-Chave: Importação de diesel.

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