
Direitos Humanos: No DF, 500 mulheres quilombolas exigem proteção estatal e justiça climática
Com o objetivo de combater a violência nos territórios tradicionais e pautar o debate ambiental, mais de 500 mulheres quilombolas de todo o país lançaram um documento histórico no Distrito Federal. Dessa maneira, o “Plano emergencial para proteção às mulheres quilombolas defensoras dos direitos humanos”, de 85 páginas, marcou a abertura do terceiro encontro nacional da categoria. Nesse sentido, o evento ocorre na região administrativa do Gama (DF) e celebra os 30 anos de fundação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
Demandas Estruturais e Combate aos Conflitos
A princípio, o plano emergencial detalha a necessidade urgente de políticas públicas efetivas que cheguem à ponta dos territórios. Portanto, as lideranças listaram demandas específicas para que as diferentes instâncias do poder público apresentem respostas céleres contra o agravamento dos conflitos agrários e ambientais. Dessa forma, o documento exige ações integradas que contemplem os seguintes eixos:
Proteção Coletiva: Garantias de segurança jurídica e física para as comunidades e seus territórios.
Recortes de Gênero e Raça: Análises governamentais que considerem as vulnerabilidades específicas das mulheres negras rurais.
Infraestrutura e Direitos: Acesso a direitos sociais básicos e fortalecimento de equipes multidisciplinares de apoio.
Valorização Cultural: Reconhecimento institucional dos saberes e das práticas ancestrais quilombolas.
Vale ressaltar ainda que a Conaq planeja desdobramentos práticos a curto prazo para disseminar o conteúdo do plano. Consequentemente, a entidade publicará uma cartilha pedagógica e estruturará formações integradas para ampliar a incidência política dessas mulheres nos espaços de poder.
Memória, Cinema e Comunicação
No que diz respeito à preservação da memória e denúncia da violência, o evento exibiu o documentário Cafuné, dirigido por Gabriela Barreto, Maryellen Crisóstomo e Nathália Purificação. Dessa maneira, a obra audiovisual retrata a tensão cotidiana de lideranças ameaçadas e relembra o impacto de assassinatos políticos, como o de Mãe Bernadete, ocorrido em agosto de 2023. Nesse contexto, o filme integra um pacote de cobranças que a coordenação do movimento entregará formalmente às autoridades federais.
Além disso, o primeiro dia do encontro contou com a participação da jornalista Maria Júlia Coutinho, que debateu estratégias de comunicação com as lideranças. Assim sendo, a jornalista destacou a importância de celebrar o modo de vida tradicional e reforçou que o quilombo funciona como um espaço de resistência e de criação de alegria transformadora.
O Protagonismo na Justiça Climática
Por conseguinte, o lema “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia” norteia os debates políticos e ambientais do encontro. Afinal, os organizadores buscam unificar estratégias comunitárias contra os impactos severos das mudanças climáticas nos biomas nacionais. Dessa forma, a feira do evento reúne agricultoras familiares, raizeiras, benzedeiras e parteiras para demonstrar a sociobiodiversidade dos territórios.
Em suma, a mobilização no Distrito Federal consolida o papel das mulheres como as principais guardiãs ecológicas do país. A que se soma o fato de que, dentro das comunidades, as mulheres lideram a produção da agricultura familiar, o artesanato e a medicina tradicional. Logo, a expectativa da Conaq para o encerramento do encontro, neste domingo (14), é consolidar um canal direto de diálogo com o governo federal para que o plano emergencial saia do papel e passe a salvar vidas.












