
Diplomacia e Futebol: Semelhanças entre Brasil e África do Sul vão muito além do verde e amarelo
Com o objetivo de estrear com o pé direito na Copa do Mundo de 2026, a seleção da África do Sul entra em campo nesta quinta-feira (11) contra o México, na Cidade do México. Dessa maneira, os “Bafana Bafana” iniciam sua jornada no Mundial vestindo as cores verde e amarelo, as mesmas que marcam a identidade da seleção brasileira. Nesse sentido, as conexões entre as duas nações ultrapassam os gramados, uma vez que ambos os países compartilham profundas características socioeconômicas, desafios políticos e posições convergentes no cenário internacional.
Cooperação Econômica e Aliança no Sul Global
A princípio, o potencial de comércio entre os dois gigantes de seus respectivos continentes permanece subutilizado. Portanto, durante um encontro bilateral em Brasília, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderam a ampliação imediata das relações comerciais, as quais movimentam atualmente cerca de US$ 2,3 bilhões por ano. Dessa forma, os governos estabeleceram novas metas e parcerias estratégicas para alavancar o intercâmbio financeiro:
Meta Comercial: Elevar o intercâmbio anual para o patamar de US$ 10 bilhões, corrigindo uma estagnação de quase 20 anos.
Setores Estratégicos: Intensificar a cooperação mútua em áreas como agricultura, pecuária, energia, mineração e defesa.
Turismo e Conectividade: Fortalecer acordos para criar novas rotas aéreas e promover destinos turísticos de forma conjunta.
Vigilância Sanitária: Implementar parcerias técnicas na agropecuária, com foco direto no enfrentamento da febre aftosa.
Vale ressaltar ainda que a pauta de exportações atual envolve produtos de forte impacto econômico. Consequentemente, o mercado brasileiro envia majoritariamente carnes de aves, açúcar e veículos para Pretória, enquanto compra prata, platina e outros minerais essenciais.
Autoridade Moral e Posicionamento Geopolítico
No que diz respeito à política externa, a África do Sul carrega um peso diplomático significativo devido ao seu histórico de superação do regime do apartheid. Dessa maneira, o país utiliza sua experiência histórica para defender soluções pacíficas para as guerras no Oriente Médio e condenar violações humanitárias em Gaza e no Líbano. Nesse contexto, especialistas apontam que a trajetória de resistência liderada por Nelson Mandela confere aos sul-africanos uma autoridade moral única perante os organismos internacionais.
Além disso, os laços históricos entre o Brasil e o continente africano ganharam força ainda nos anos 1970, período em que a sociedade brasileira pressionou pelo fim da segregação racial. Assim sendo, o governo brasileiro da época congelou relações diplomáticas com Pretória, impulsionado pela mobilização interna do movimento negro e pelo alinhamento com outros produtores de petróleo.
Consolidação nos Blocos Internacionais
Por conseguinte, a reaproximação consolidada nos anos 2000 projeta os dois países como lideranças ativas dentro do bloco dos BRICS. Afinal, a atuação conjunta visa combater as desigualdades globais e promover o desenvolvimento sustentável em todo o Sul Global. Dessa forma, a sinergia entre as duas nações estende-se para áreas fundamentais da atualidade:
Saúde Pública: Cooperação técnica e compartilhamento de estratégias na luta contra o HIV-Aids.
Preservação Ambiental: Apoio da África do Sul à proposta brasileira de criação do Fundo de Florestas Tropicais durante a COP.
Soberania Energética: Destaque para o avanço tecnológico sul-africano, único país do continente a produzir energia nuclear em escala comercial.
Em suma, Brasil e África do Sul trilham caminhos paralelos na busca por consolidar suas democracias e expandir suas esferas de influência no cenário mundial. Logo, seja coordenando ações ambientais ou competindo nos gramados da América do Norte, a aproximação estratégica gera benefícios reais para os dois povos.












