• 15 junho, 2026

Economia e Renda: Salários diminuem a pobreza em 22 regiões metropolitanas do país

O mercado de trabalho brasileiro registrou uma conquista histórica com a saída de mais de 10 milhões de pessoas da condição de pobreza nas principais regiões metropolitanas do país, entre 2021 e 2025. Esses dados constam no boletim Desigualdade nas Metrópoles, produzido em parceria pelo Observatório das Metrópoles, pela Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e pela PUC-RS. Dessa maneira, a taxa de pobreza nas grandes cidades recuou para 18,4% no ano passado, alcançando, portanto, o menor valor da série histórica iniciada em 2012.

O Impacto do Trabalho e o Recorde na Renda Domiciliar

O economista e sociólogo Marcelo Ribeiro, pesquisador do Observatório das Metrópoles, classificou essa redução como um avanço expressivo para o cenário nacional. Afinal, a melhoria decorre diretamente da maior oferta de ocupações e do aumento real na remuneração do trabalho, e não de reajustes em programas sociais de transferência de renda. Com essa dinâmica econômica favorável, a renda média domiciliar per capita no conjunto das metrópoles também alcançou um novo recorde histórico ao atingir o patamar de R$ 2.766 mensais.

Apesar da visível evolução econômica, o volume total de pessoas vulneráveis nas grandes cidades ainda exige atenção das políticas públicas. No ano passado, cerca de 15,2 milhões de cidadãos viviam em situação de pobreza nas áreas urbanas, sobrevivendo com uma renda mensal familiar de até R$ 729 por pessoa. Desse universo total, aproximadamente 2,6 milhões de indivíduos enfrentavam a extrema pobreza com apenas R$ 229 mensais, embora a taxa geral desse indicador tenha caído para 3,2% no conjunto das metrópoles.

Juros Altos e a Persistência da Desigualdade de Renda

Por outro lado, o avanço socioeconômico na base da pirâmide social não impediu o crescimento simultâneo da concentração de riqueza no topo. O índice de Gini subiu para 0,511 em 2025, o que comprova que a diferença entre as classes sociais continuou se acentuando no período. Consequentemente, os dados apontam que o estrato dos 10% mais ricos do país recebeu, em média, 16,1 vezes mais recursos do que os 40% mais pobres da população.

Essa disparidade histórica se perpetua no Brasil devido a fatores como a alta escolarização nos cargos de liderança e os altos rendimentos de investimentos financeiros no mercado. O economista Marcelo Ribeiro ressalta que o país conviveu com taxas de juros muito elevadas nos últimos anos, beneficiando diretamente os grupos de maior poder aquisitivo. Logo, os ganhos desse topo econômico cresceram em um ritmo proporcionalmente mais rápido do que os salários das categorias mais baixas.

O Mapa das Disparidades Regionais

No que diz respeito à distribuição geográfica, a desigualdade desenha um mapa claro de contrastes entre o Norte-Nordeste e as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Distrito Federal, por exemplo, ostenta a maior média de renda mensal do estudo com R$ 4,401 por habitante, valor que representa uma quantia 2,7 vezes maior do que a realidade registrada na Grande São Luís, no Maranhão, onde a média atinge apenas R$ 1.616.

As 22 regiões metropolitanas avaliadas pela pesquisa englobam cerca de 300 municípios e concentram quatro de cada dez moradores do Brasil. Em suma, equilibrar o crescimento econômico com a redução desse abismo regional permanece como o principal desafio estrutural para as metrópoles brasileiras ao longo de 2026.

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