• 02 julho, 2026

Infraestrutura: Estudo do BNDES mapeia 187 projetos para expandir o transporte público no país

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou, nesta quarta-feira (1º), o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU). Dessa maneira, o documento recomenda 187 projetos estruturantes que poderão expandir em mais de 3 mil quilômetros a malha de transporte público nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do Brasil. Nesse sentido, os técnicos estimam o valor total do investimento necessário entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões para os próximos anos.

Planejamento de Longo Prazo e a Expansão de Redes

O banco público realizou a pesquisa de forma conjunta com o Ministério das Cidades, estruturando, portanto, uma carteira robusta de projetos com base em projeções populacionais para um horizonte de 30 anos. Os planos objetivam, dessa forma, não apenas modernizar a infraestrutura urbana e a qualidade de vida dos usuários, mas também ampliar a segurança viária e reduzir drasticamente as emissões de gás carbônico na atmosfera. Com efeito, os aportes previstos envolvem linhas novas de metrô, trem urbano, BRT, VLT e corredores exclusivos de ônibus.

O primeiro empreendimento contratado na carteira da instituição visa, por exemplo, à ampliação da rede básica de transporte de Belo Horizonte (MG). O projeto elevará a malha mineira dos atuais 84,2 quilômetros para expressivos 314,1 quilômetros. Consequentemente, a expansão de 229,9 quilômetros de trilhos exigirá um investimento inicial de R$ 35,6 bilhões, servindo de modelo para as demais capitais brasileiras contempladas na lista.

As 21 regiões metropolitanas englobam, além disso, grandes centros urbanos de todas as regiões brasileiras, de Belém a Porto Alegre, incluindo o Distrito Federal. A diretoria do BNDES planeja liberar os recursos por meio do Fundo Clima, uma linha de crédito voltada especificamente para ações de mitigação do efeito estufa. O diretor Nelson Barbosa enfatizou, assim sendo, que o mapeamento servirá como um norteador estratégico tanto para as ações do governo federal quanto para os planejamentos locais de prefeitos e governadores.

Impacto Social e Quebra do Ciclo Vicioso

O ministro das Cidades, Vladimir Lima, comparou o impacto socioeconômico da iniciativa a programas habitacionais consagrados. O governo reconhece, por sua vez, que o ponto central da estratégia reside na vertente social, devolvendo tempo útil para o trabalhador ficar com sua família. Para o ministério, a ferramenta funciona, logo, como uma engrenagem política para fortalecer o pacto federativo e socorrer os municípios na estruturação técnica de grandes obras.

A superintendente de Soluções para as Cidades do BNDES, Luciene Machado, explicou que o estudo visa interromper o ciclo vicioso de escassez de receitas na mobilidade. Atualmente, o país destina apenas 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor, mas o planejamento estima, todavia, que esse percentual possa atingir 0,25% do PIB, representando R$ 20 bilhões anuais em novos canteiros de obras.

A execução total dos 187 projetos levará cerca de 15 anos, período em que a população colherá, em suma, benefícios práticos como a redução de 15% no tempo de viagem e o aumento expressivo na acessibilidade urbana. Como resultado, os novos modais evitarão a emissão de 3 milhões de toneladas de gás carbônico anualmente, além de pouparem 27 mil vítimas de sinistros de trânsito devido à maior segurança dos sistemas integrados de bilhetagem.

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