• 05 março, 2026

Conflito no Oriente Médio pode impactar mercado global de petróleo e gás

O agravamento do conflito no Oriente Médio pode provocar mudanças significativas no mercado internacional de petróleo e gás. Segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a principal preocupação envolve um possível fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte de energia no mundo.

De acordo com a entidade, cerca de 25% do petróleo exportado globalmente passa diariamente pelo estreito. Além disso, grandes volumes de gás natural produzidos por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Omã também utilizam essa rota marítima.

Possíveis impactos nos preços e no abastecimento

Caso o conflito se intensifique, o mercado energético internacional poderá sofrer consequências relevantes. Primeiramente, a interrupção parcial ou total do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz tende a pressionar os preços globais. Além disso, ataques ou bloqueios à infraestrutura da região podem comprometer o abastecimento de diversos países.

Nesse contexto, economias asiáticas como China, Índia e Japão estão entre as mais vulneráveis. Isso ocorre porque esses países dependem fortemente das exportações de petróleo e gás provenientes do Oriente Médio.

Segundo o IBP, portanto, a continuidade das hostilidades pode gerar dois efeitos diretos: por um lado, perda de competitividade econômica em mercados dependentes de energia importada; por outro, aumento significativo nos preços do petróleo e do gás natural.

Brasil pode ganhar protagonismo no mercado energético

Diante desse cenário de instabilidade geopolítica, o Brasil pode ampliar sua relevância como fornecedor de energia. Isso porque o país apresenta um ambiente de negócios considerado estável e possui petróleo de alta qualidade.

Além disso, o petróleo brasileiro possui baixo teor de enxofre e menor emissão de carbono, características valorizadas no mercado internacional. Atualmente, o Brasil ocupa a 9ª posição entre os maiores exportadores de petróleo do mundo.

Da mesma forma, cerca de 67% do petróleo exportado pelo país tem como destino o mercado asiático, o que reforça a importância estratégica do Brasil para o abastecimento dessas economias.

Investimentos são considerados essenciais

Apesar das oportunidades, especialistas ressaltam a necessidade de manter investimentos no setor energético nacional. Nesse sentido, o IBP defende a continuidade das ações de exploração e produção de petróleo, principalmente em novas fronteiras energéticas.

Entre essas áreas, destaca-se a Margem Equatorial, considerada uma região promissora para a expansão da produção brasileira. Assim, o país poderá garantir maior segurança energética e ampliar sua capacidade de exportação.

Por fim, o instituto alerta que a continuidade dos investimentos é fundamental. Caso contrário, existe o risco de o Brasil voltar a depender da importação de petróleo na próxima década, o que poderia comprometer a competitividade energética nacional.

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