• 27 junho, 2026

Economia: Prévia da inflação perde força pelo segundo mês consecutivo e fecha junho em 0,41%

A prévia da inflação oficial do país fechou o mês de junho em 0,41%, confirmando uma trajetória de desaceleração nas taxas de curto prazo. Dessa maneira, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) perdeu força pelo segundo mês seguido, uma vez que havia registrado 0,89% em abril e 0,62% em maio. Nesse sentido, os dados que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (25) mostram que o indicador acumula uma alta de 4,8% nos últimos 12 meses.

Alimentos e Habitação Pressionam o Orçamento

Os pesquisadores do IBGE coletam mensalmente os preços de nove grupos de produtos e serviços para calcular o índice. Em junho, por exemplo, os grupos de alimentação e bebidas junto com o de habitação responderam, sozinhos, por dois terços de todo o IPCA-15. O mercado financeiro estimava, portanto, um recuo ainda maior, já que a mediana das expectativas do Boletim Focus projetava uma taxa de 0,32% para o período.

No segmento de alimentação no domicílio, o índice apurou uma alta de 0,87%, valor significativamente menor do que os 1,73% registrados em maio. Com efeito, os produtos que mais subiram no mês foram os seguintes:

  • Batata-inglesa: Avanço expressivo de 29,42% no mês.

  • Tomate: Alta de 17,27% nas gôndolas.

  • Feijão-carioca: Acréscimo de 14,29% no bolso do consumidor.

  • Cebola: Elevação de 9,54% no período.

O instituto destacou, além disso, que as condições climáticas severas fizeram com que o tomate, a cenoura e a batata-inglesa mais que dobrassem de preço ao longo deste primeiro semestre.

Bandeira Amarela Eleva o Custo da Energia

No grupo habitação, a energia elétrica residencial subiu 2,04% e exerceu o maior impacto individual de alta em todo o indicador. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou, consequentemente, o acionamento da bandeira tarifária amarela devido à previsão de chuvas abaixo da média e ao forte calor. Dessa forma, a escassez de água forçou o uso das usinas termelétricas, elevando o custo de operação do sistema nacional.

Os reajustes tarifários locais aplicados em capitais como Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador também impulsionaram a inflação da energia. Nesse contexto, mesmo tratando-se de reajustes regionais, a média nacional do IPCA acabou absorvendo e refletindo esses aumentos em cadeia.

Recuo nos Combustíveis Alivia Transportes

O grupo de transportes apresentou um leve recuo de 0,03%, impulsionado diretamente pela queda nos preços dos combustíveis. Os motoristas pagaram, por sua vez, 5,30% a menos pelo etanol e 0,73% a menos pela gasolina, gerando o principal alívio deflacionário do mês. Por outro lado, as passagens aéreas pegaram o caminho inverso e subiram 7,24%, neutralizando parte dessa queda no setor de transportes.

Metodologia e Próximos Passos

O IPCA-15 utiliza a mesma metodologia da inflação oficial do governo, cuja meta central para o ano permanece fixada em 3%. A coleta atual ocorreu entre 16 de maio e 16 de junho em 11 localidades do país, abrangendo famílias que ganham até 40 salários mínimos. Assim sendo, o mercado financeiro aguarda agora a divulgação do IPCA cheio, agendada para o dia 10 de julho, para consolidar as projeções de juros para o restante de 2026.

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