• 27 junho, 2026

Mercado de Trabalho: Entidades sem fins lucrativos registram menor disparidade salarial entre sexos, aponta IBGE

A disparidade salarial entre homens e mulheres apresenta-se menor em entidades sem fins lucrativos do que em empresas privadas e na administração pública. Dessa maneira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou a desigualdade moderada em um levantamento macroeconômico divulgado nesta quinta-feira (25). Nesse sentido, o estudo revela que, no universo de 10,6 milhões de organizações ativas no país, o salário médio mensal alcançava R$ 3,9 mil, o equivalente, portanto, a 2,8 salários mínimos do período analisado.

O Impacto da Natureza Jurídica nos Salários

Os pesquisadores do IBGE separaram os registros do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) por natureza jurídica e verificaram, por exemplo, que as organizações filantrópicas e sociais lideram a equidade. Nas entidades sem fins lucrativos — categoria que engloba organizações sociais, fundações privadas, sindicatos e instituições religiosas —, o salário das mulheres representava 95,3% da remuneração dos homens. Com efeito, os valores médios dessa categoria estruturavam-se assim:

  • Remuneração Feminina: R$ 3.589,82

  • Remuneração Masculina: R$ 3.768,81

As empresas privadas, por outro lado, registraram a maior distância salarial do levantamento, configurando o pior cenário para a equidade de gênero. Dessa forma, as trabalhadoras do setor corporativo recebiam o equivalente a apenas 78,1% do rendimento dos homens, com médias fixadas em R$ 2.996,79 para elas e R$ 3.838,67 para eles. Na administração pública, que abrange os Três Poderes nas esferas federal, estadual e municipal, as mulheres ganhavam 82% do salário dos seus pares masculinos, recebendo R$ 4.967,51 contra R$ 6.058,19 deles.

Hipóteses Científicas e a Divisão de Funções

A gerente de Análise e Disseminação do IBGE, Caroline Santos, sugeriu hipóteses importantes para explicar a aproximação salarial no terceiro setor. Afinal, essas entidades prestam serviços fortemente voltados à assistência social e à saúde, áreas que possuem, consequentemente, uma tradição de forte inserção de mão de obra feminina. Assim sendo, a presença majoritária de mulheres nos quadros dessas organizações contribui diretamente para reduzir a disparidade média dos salários.

A predominância feminina em setores como educação e saúde ajuda a esclarecer, por sua vez, a persistência da desigualdade na administração pública. Nesse contexto, embora o funcionalismo público adote critérios objetivos de ingresso por concurso, essas funções sociais historicamente ligadas às mulheres concentram, além disso, faixas remuneratórias menores do que carreiras tipicamente masculinas.

Desafios Frente à Lei de Igualdade Salarial

O Brasil sancionou a Lei 14.611, conhecida como Lei de Igualdade Salarial, em julho de 2023, obrigando os empregadores a pagarem remunerações idênticas para homens e mulheres na mesma função. A diferença entre os sexos acaba acontecendo na média geral, todavia, por causa de fatores estruturais externos à legislação, como a menor ocupação feminina em cargos de alta chefia e as interrupções de carreira ligadas à maternidade.

O cadastro central de empresas demonstrou, em suma, que as organizações ativas empregavam um contingente expressivo de 68 milhões de pessoas no país. Logo, diante do crescimento de 12,5% no número de empresas em relação ao início da nova série histórica, a análise contínua desses indicadores de gênero funciona como uma ferramenta crucial para balizar políticas de inclusão. Como resultado, o mapeamento do IBGE oferece subsídios práticos para que o setor privado e o poder público corrijam distorções e acelerem a igualdade no ambiente corporativo.

Veja outras notícias  

Acompanhe no instagram