• 07 abril, 2026

Lula quer anular leilão da Petrobras por venda de gás acima da tabela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (2), que pretende anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, realizado pela Petrobras.

Segundo ele, o produto foi vendido às distribuidoras com preços que chegaram a até 100% acima dos valores praticados na tabela da estatal.

Além disso, durante entrevista à TV Record Bahia, o presidente declarou que o leilão ocorreu contra a orientação da própria direção da Petrobras.

“Foi feito um leilão […] contra a vontade da direção da Petrobras”, afirmou.

Governo promete revisão do processo

Diante desse cenário, Lula reforçou que o governo pretende revisar e anular o certame.

Segundo ele, a decisão busca evitar que o aumento de custos recaia sobre a população, especialmente as famílias de baixa renda.

“Nós vamos rever esse leilão, nós vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará […]”, declarou.

Influência do mercado internacional

Por outro lado, embora o Brasil seja produtor de combustíveis, o mercado interno continua fortemente influenciado pelos preços internacionais — sobretudo em razão das tensões no Oriente Médio.

Nesse contexto, estratégias como leilões com alto ágio acabam sendo utilizadas para alinhar os preços internos ao cenário global, mesmo sem reajustes formais na tabela.

Atualmente, conforme informações da própria Petrobras, os preços do GLP para distribuidoras permanecem inalterados desde novembro de 2024.

Críticas ao preço final do gás

Além da questão do leilão, o presidente voltou a criticar o valor cobrado do consumidor final.

De acordo com Lula, existe uma grande diferença entre o preço de saída da Petrobras e o valor pago pelas famílias.

“Quando a Petrobras vende um botijão a R$ 37, ele não pode chegar a R$ 140 ou R$ 150”, afirmou.

Nesse sentido, ele atribui parte do encarecimento à cadeia de distribuição.

Medidas sociais e impacto no consumo

Como resposta ao cenário de preços elevados, o governo federal implementou o programa Gás do Povo, que substituiu o Auxílio Gás.

A iniciativa tem como objetivo garantir botijão gratuito para famílias de baixa renda, ampliando o acesso ao item essencial.

Alta dos combustíveis e pressão externa

Ao mesmo tempo, Lula também voltou a mencionar os impactos da alta do petróleo no cenário internacional, especialmente em função de conflitos no Oriente Médio.

Segundo ele, esse contexto pressiona diretamente o preço do diesel no Brasil — combustível que influencia toda a cadeia produtiva e a inflação.

Diante disso, o governo avalia medidas emergenciais. Entre elas, está a expectativa de publicação de uma medida provisória que prevê subsídio ao diesel importado, com desconto de R$ 1,20 por litro.

Críticas à privatização e planos futuros

Além disso, o presidente criticou a privatização da BR Distribuidora, realizada em 2019, destacando que a ausência de uma distribuidora estatal limita a capacidade de regulação de preços.

Ele também mencionou estudos para recomprar ativos estratégicos, como a Refinaria de Mataripe, na Bahia.

Segundo Lula, ampliar a produção interna é essencial para reduzir a dependência de importações e minimizar os impactos do mercado internacional.

Posicionamento da Petrobras

Por fim, a Agência Brasil informou que entrou em contato com a Petrobras para esclarecer os detalhes do leilão.

Até o momento, no entanto, a estatal não se manifestou, e o espaço segue aberto para posicionamento.

Frase-Chave: Estatal não se manifestou.

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