• 04 maio, 2026

Milton Santos, 100 Anos: O Legado do Intelectual que Decifrou as Desigualdades do Brasil

Com o objetivo de celebrar o centenário de nascimento de um dos maiores pensadores brasileiros, o país promove em maio de 2026 uma série de homenagens a Milton Santos. Dessa maneira, o geógrafo baiano, falecido em 2001, permanece como uma referência indispensável para compreender como o espaço urbano materializa a exclusão social. Nesse sentido, sua obra continua a inspirar pesquisadores que analisam desde os mercadinhos de periferia em São Luís até as dinâmicas globais em capitais europeias como Londres e Paris.

A Teoria dos Dois Circuitos Urbanos

A princípio, um dos conceitos mais atuais de Milton Santos é a divisão da economia urbana em dois circuitos complementares, porém desiguais. Portanto, para entender como a sobrevivência se organiza nas cidades, o geógrafo propôs a seguinte estrutura:

  • Circuito Superior: Concentra grandes empresas, alto nível de tecnologia e capital intensivo. Por outro lado, é rígido e focado no mercado global.

  • Circuito Inferior: Formado por pequenos comércios e serviços populares. Dessa forma, ele é altamente adaptável e atende àqueles que o sistema formal ignora, permitindo, por exemplo, a venda fracionada de alimentos.

Vale ressaltar ainda que essa dinâmica não é uma falha do sistema, mas uma adaptação necessária. Consequentemente, enquanto as grandes redes supermercadistas exigem padrões rígidos de consumo, o circuito inferior cria soluções de sobrevivência que garantem o abastecimento das periferias.

Trajetória e Resistência Acadêmica

No que diz respeito à sua biografia, Milton Santos enfrentou os desafios impostos pelo racismo estrutural e pela repressão política. Dessa maneira, após ser exilado pela ditadura militar, o intelectual lecionou em prestigiadas universidades na França, África e América Latina. Nesse contexto, ao retornar ao Brasil, ele consolidou sua produção na USP e na UFRJ, tornando-se um símbolo de legitimidade para intelectuais negros em todo o mundo.

Além disso, Santos sempre defendeu que o esforço de um intelectual negro no Brasil precisa ser muito maior para ser ouvido. Assim sendo, ele nunca utilizou sua trajetória como vitimização, mas sim como uma plataforma crítica para denunciar a “perversidade” da globalização atual, que prioriza o lucro das corporações em detrimento da dignidade humana.

O Espaço como Resultado de Escolhas Políticas

Quanto à análise geográfica propriamente dita, Milton Santos revolucionou o conceito de território. Por conseguinte, para ele, o espaço não é apenas um cenário estático, mas sim o resultado direto de decisões econômicas. De acordo com sua teoria, a falta de saneamento em uma favela e o excesso de infraestrutura em um bairro nobre não são acidentes; pelo contrário, são a materialização das relações de poder.

Nesse sentido, o autor introduziu o conceito de “meio técnico-científico-informacional”. Em suma, esse termo descreve como a tecnologia e a informação moldam o território, criando regiões hiperconectadas que convivem lado a lado com bolsões de abandono total.

Celebrações do Centenário

Por fim, para aqueles que desejam aprofundar-se no pensamento do geógrafo, diversos eventos marcam o mês de maio:

  • Seminário Internacional (USP): Ocorre de 4 a 8 de maio, com transmissão virtual em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros.

  • Ciclo de Palestras (Sesc RJ): O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) oferece debates durante todo o mês.

  • Congresso Internacional (UFT): Programado para agosto, o evento focará no Tocantins como fronteira tecnológica.

Afinal, o legado de Milton Santos não serve apenas para diagnosticar problemas, mas também para apontar caminhos. Logo, ao entender o território como um espaço de resistência, ele nos convida a construir “uma outra globalização”, baseada na solidariedade e na justiça social.

Frase-Chave: Homenagens ao centenário.

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