• 27 maio, 2026

Operação Compliance Zero: PF investiga desvio de R$ 2 bilhões da Rioprevidência para o Banco Master

Com o objetivo de desarticular um complexo esquema de crimes financeiros e desvio de recursos públicos, a Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã da última terça-feira (26), a Operação Compliance Zero. Dessa maneira, os agentes federais cumprem mandados no Rio de Janeiro para apurar irregularidades no Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência). Nesse sentido, as investigações apontam que a autarquia estadual realizou aplicações bilionárias suspeitas em fundos vinculados ao Banco Master, colocando em risco o patrimônio dos servidores fluminenses.

O Histórico das Aplicações e a Liquidação do Banco

A princípio, o foco principal da fiscalização recai sobre os aportes de R$ 2,01 bilhões realizados a partir do ano de 2024. Portanto, o volume expressivo de capital foi direcionado a uma instituição financeira que já vinha levantando suspeitas de fraudes no mercado. Dessa forma, o cenário agravou-se consideravelmente nos meses seguintes, culminando em sanções severas por parte dos órgãos reguladores:

  • Gestão sob Suspeita: No período dos repasses, o Rio de Janeiro estava sob o comando do então governador Cláudio Castro, que renunciou ao mandato e encontra-se atualmente inelegível.

  • Intervenção Federal: Diante das sucessivas irregularidades, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025.

  • Prejuízo ao Erário: Os investigadores buscam rastrear o destino dos ativos para avaliar o tamanho do rombo deixado nos cofres da previdência estadual.

Vale ressaltar ainda que a ação deflagrada nesta semana não ocorre de maneira isolada. Consequentemente, os novos mandados representam um desdobramento direto da Operação Barco de Papel, uma fase anterior que já havia identificado outros R$ 970 milhões aplicados em Letras Financeiras da mesma instituição entre 2023 e 2024.

Desdobramentos Políticos e Judiciais

No que diz respeito ao montante global investigado, as duas operações somadas revelam que a Rioprevidência transferiu cerca de R$ 3 bilhões para o banco liquidado. Dessa maneira, a PF e o Ministério Público Federal (MPF) trabalham em conjunto para identificar os agentes públicos e operadores financeiros que facilitaram essas transações sem os critérios mínimos de conformidade. Nesse contexto, a quebra de sigilos bancários e fiscais deve apontar se houve pagamento de propina ou favorecimento ilícito durante a escolha dos fundos de investimento.

Além disso, as autoridades buscam recuperar os valores desviados por meio do bloqueio de bens dos envolvidos. Assim sendo, o processo avança para intimar ex-gestores da autarquia a prestarem depoimentos explicativos sobre a ausência de análises de risco adequadas antes de movimentar cifras tão expressivas.

A Crise na Previdência Fluminense

Em subm, a Operação Compliance Zero joga luz sobre a fragilidade dos mecanismos de controle interno no gerenciamento de fundos de pensão estaduais. Afinal, destinar bilhões de reais a um banco sob suspeita contraria as práticas básicas de responsabilidade fiscal e governança corporativa. Logo, a expectativa do mercado e da sociedade civil volta-se para as próximas fases da apuração, que definirão o tamanho do impacto real desse desfalque na aposentadoria dos futuros servidores públicos do Rio de Janeiro.

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