• 22 maio, 2026

Trabalho e Dignidade: Presídio de Dourados utiliza mão de obra prisional para fabricar chinelos

Com o objetivo de transformar a realidade de internos em situação de extrema vulnerabilidade, a Penitenciária Estadual de Dourados (PED) implantou uma oficina para a fabricação própria de chinelos. Dessa maneira, o projeto utiliza a mão de obra dos próprios custodiados para atender, prioritariamente, os detentos que não recebem assistência ou visitas de familiares. Nesse sentido, o projeto “PED Chinelo” nasce de uma parceria estratégica entre a Agepen e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, unindo assistência básica e ressocialização.

Produção, Insumos e Remição de Pena

A princípio, a iniciativa destaca-se por ser totalmente inédita no sistema prisional do Estado. Portanto, os insumos para a confecção dos calçados vêm de recursos viabilizados pelo Poder Judiciário, por meio da Vara de Execução Penal de Dourados. Dessa forma, a linha de produção gera benefícios diretos para a gestão e para os trabalhadores:

  • Produção Consistente: A oficina mantém uma capacidade média de fabricação de 50 pares de chinelos por dia.

  • Alcance Inicial: As equipes já produziram e distribuíram 621 pares de chinelos, beneficiando inicialmente os reeducandos indígenas.

  • Remição de Pena: Os três internos que trabalham na oficina reduzem um dia de sua pena a cada três dias de serviços prestados, seguindo a Lei de Execução Penal.

Vale ressaltar ainda que o diretor da PED, Leoney Martins Duarte, aponta a produção própria como uma alternativa altamente sustentável para o presídio. Consequentemente, a oficina supre uma demanda imediata de higiene e vestuário sem onerar os cofres públicos, combinando segurança, gestão e ação social.

Expansão do Trabalho Prisional em Dourados

No que diz respeito ao cenário geral de ocupação na PED, a oficina de chinelos soma-se a várias outras frentes de trabalho e educação que já funcionam no local. Dessa maneira, a unidade penal avança consistentemente nos índices de ressocialização, registrando atualmente mais de 31% da sua população carcerária inserida em atividades laborais ou educacionais. Nesse contexto, os internos têm acesso desde a alfabetização escolar até oficinas consolidadas de marcenaria, serralheria, costura e pintura.

Além disso, a penitenciária aproveita essa mesma força de trabalho interna para confeccionar e distribuir uniformes padronizados para todos os custodiados. Assim sendo, o modelo de produção interna de roupas e calçados fortalece a disciplina, organiza a rotina carcerária e prepara o cidadão para o retorno à sociedade.

Um Modelo para o Estado

Em um resumo geral, o projeto “PED Chinelo” comprova que a cooperação entre o Judiciário e a Polícia Penal gera resultados humanos e práticos dentro do ambiente prisional. Afinal, ocupar o tempo do interno com o aprendizado de um ofício reduz a ociosidade e combate diretamente a reincidência criminal. Logo, a expectativa da Agepen é que o sucesso alcançado em Dourados sirva de modelo técnico, permitindo expandir a fábrica de calçados para outras unidades prisionais de Mato Grosso do Sul ao longo de 2026.

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