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Rodada de Negócios impulsiona artesanato de MS durante a Semana do Artesão 2026
A Semana do Artesão 2026, realizada entre os dias 18 e 25 de março, vem se consolidando, cada vez mais, como uma das principais iniciativas de valorização do artesanato sul-mato-grossense. Ao longo da programação, o evento reúne feira de exposição, oficinas, palestras, rodada de negócios e apresentações culturais, promovendo, ao mesmo tempo, a difusão da cultura e o fortalecimento da economia criativa no Estado.
Dentro desse contexto, a Rodada de Negócios, realizada na quinta-feira (19), Dia do Artesão, se destacou como um dos momentos mais estratégicos da programação. Afinal, a iniciativa não apenas movimenta o setor durante o evento, como também contribui diretamente para a comercialização contínua do artesanato ao longo de todo o ano.
Conexões comerciais fortalecem o setor
Além de promover encontros, a Rodada de Negócios cria oportunidades reais para que artesãos de Mato Grosso do Sul estabeleçam contatos comerciais e, consequentemente, firmem parcerias com lojistas de diversas regiões do país. Dessa forma, o projeto amplia a visibilidade da produção local e, ao mesmo tempo, fortalece a identidade cultural do Estado.
O evento é promovido pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Cultura (FCMS), em parceria com o Sebrae/MS. Neste ano, participaram 30 artesãos, que receberam a visita de 10 compradores vindos de estados como São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Bahia.
Comercialização além das feiras
De acordo com Katienka Klain, gerente de desenvolvimento de atividades artesanais da FCMS, a Rodada de Negócios desempenha um papel fundamental na expansão do mercado.
“A Rodada de Negócios traz lojistas de todo o Brasil para comprar o artesanato sul-mato-grossense em atacado. Diferente das feiras, que são pontuais, aqui o lojista conhece o produto, compra e leva para sua loja, criando uma demanda contínua”, explicou.
Além disso, ela ressalta que o impacto vai muito além da venda imediata. Isso porque os pedidos se tornam recorrentes, garantindo produção constante e geração de renda para os artesãos.
Crescimento da demanda pelo artesanal
Outro ponto importante, segundo Katienka, é o aumento significativo da procura por produtos artesanais. Nesse sentido, ela destaca uma mudança no comportamento do consumidor.
“Depois do auge do digital, as pessoas passaram a valorizar mais o manual, a história por trás das peças. O crochê, o bordado e o feito à mão ganharam ainda mais espaço”, afirmou.
Inclusive, esse movimento já se reflete nos resultados: na edição anterior, a Rodada de Negócios registrou cerca de R$ 600 mil em vendas, demonstrando o potencial econômico do setor.
Identidade cultural como diferencial competitivo
Paralelamente, a gerente do Sebrae/MS, Isabella Fernandes Montello, reforça que o artesanato sul-mato-grossense possui um diferencial competitivo claro no mercado.
Segundo ela, a origem étnica e cultural das peças — com forte presença indígena e inspiração na fauna e flora locais — torna os produtos ainda mais atrativos.
“Nosso artesanato é desejado porque carrega identidade. Ele traduz a cultura, a natureza e a história do Estado, o que aumenta o interesse dos compradores”, destacou.
Porta de entrada para novos mercados
Da mesma forma, o CEO e curador da marca Marco500, Marco Aurélio Saad Pulcherio, ressalta que a Rodada de Negócios funciona como um verdadeiro impulsionador de oportunidades.
Segundo ele, o formato facilita o acesso dos lojistas à diversidade de produções regionais em um único espaço.
“É uma oportunidade de conhecer rapidamente o trabalho de diferentes regiões e negociar diretamente com os artesãos. Isso amplia o alcance do artesanato para além do ateliê”, explicou.
Além disso, ele destaca que o evento também fortalece o relacionamento entre compradores e produtores, criando conexões duradouras no mercado.
Artesanato como transformação social
Por outro lado, a Rodada também evidencia histórias inspiradoras. É o caso da artesã Yani Stamm Hirsch, de Naviraí, que trabalha com artesanato extrativista a partir de madeiras recuperadas do Pantanal.
Segundo ela, a prática vai além da arte, tornando-se também uma ferramenta de transformação social.
“É uma matéria-prima acessível, encontrada na natureza, que pode ser transformada em renda. Hoje, ensino outras mulheres em situação de vulnerabilidade a produzir e gerar sustento”, afirmou.
Além disso, o trabalho preserva a memória ambiental, já que utiliza materiais reaproveitados de áreas afetadas por incêndios.
Nova geração mantém tradição viva
Nesse cenário, o artesanato também ganha força entre os mais jovens. Renato Stamm Hirsch dos Santos, de 16 anos, representa essa nova geração.
Inspirado pela mãe, ele começou aos 14 anos e pretende seguir na atividade.
“Quero continuar no artesanato e incentivar outros jovens a enxergarem essa profissão como oportunidade”, destacou.
Além disso, Renato também atua na produção artesanal de erva de tereré, utilizando métodos tradicionais e totalmente orgânicos.
Fortalecimento da economia criativa
Em síntese, a Rodada de Negócios reafirma o papel do artesanato como vetor de desenvolvimento econômico, cultural e social em Mato Grosso do Sul.
Assim, ao conectar tradição, identidade e mercado, a iniciativa não apenas amplia oportunidades para os artesãos, como também consolida o setor como um dos pilares da economia criativa no Estado.












