
- 09 janeiro, 2026
Acordo UE-Mercosul avança e líderes europeus celebram aprovação provisória
Líderes europeus e representantes do setor empresarial celebraram nesta sexta-feira (9) a aprovação provisória do acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, após 25 anos de negociações. Nesse contexto, o Conselho da União Europeia ainda não anunciou oficialmente a assinatura, já que cada país precisa confirmar o voto por escrito dentro do prazo estabelecido.
Apoio político e comemoração na Alemanha
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, destacou a importância do avanço do acordo. Assim, classificou o entendimento como um marco estratégico para a política comercial europeia.
“O acordo UE-Mercosul é um marco na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica”, afirmou.
Além disso, Merz ressaltou que o acordo é positivo para a Alemanha e para a Europa. No entanto, ponderou que o longo período de negociações demonstra a necessidade de processos mais ágeis no futuro.
Áustria comemora maioria, apesar do voto contrário
A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, também comemorou a formação de maioria favorável entre os Estados-membros. Ainda assim, seu país votou contra a iniciativa.
“Finalmente, há uma maioria entre os Estados-membros da UE para a assinatura do acordo com o Mercosul”, declarou.
Por outro lado, a ministra lamentou que a Áustria não tenha apoiado o acordo. Do mesmo modo, defendeu o aprofundamento das relações comerciais com outros parceiros, como a Índia, em meio às transformações da ordem global.
Resistências e preocupação com a agricultura
Já o ministro da Agricultura da Polônia, Stefan Krajewski, afirmou que seu país, juntamente com Áustria, França, Hungria e Irlanda, se posicionou contra o acordo. Em contrapartida, outros países formaram maioria suficiente para o avanço da proposta.
“Se a Itália estivesse do nosso lado, o acordo seria bloqueado”, afirmou.
Contudo, o ministro alertou que as consequências da decisão afetarão diversos setores. Portanto, o Parlamento polonês estuda mecanismos legais para proteger os agricultores e garantir possíveis compensações.
Indústria automotiva vê avanço como sinal positivo
O setor industrial reagiu de forma favorável. Dessa forma, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) classificou o apoio ao acordo como um sinal claro de que a Europa busca manter uma economia aberta e competitiva.
Segundo a entidade, o acordo deve:
Reduzir significativamente tarifas sobre automóveis europeus;
Eliminar entraves técnicos ao comércio;
Reforçar cadeias de abastecimento estratégicas.
Logo, a Acea defendeu a rápida ratificação do texto pelo Parlamento Europeu.
Prazo final e próximos passos
De acordo com a agência Reuters, os 27 países da UE têm até 17h (13h em Brasília) para confirmar oficialmente seus votos. Enquanto isso, ao menos 15 países — representando 65% da população do bloco — já indicaram apoio.
Se confirmado o resultado, a presidente da Comissão Europeia poderá viajar ao Paraguai para ratificar o acordo com os países do Mercosul. Por fim, o texto ainda precisará da aprovação do Parlamento Europeu para entrar em vigor.












