
Carnaval: especialista alerta famílias sobre exposição de crianças nas redes sociais
O Carnaval é sinônimo de alegria, celebração e convivência. No entanto, ao mesmo tempo, especialistas alertam para riscos importantes envolvendo crianças e adolescentes durante a folia. Por isso, além da diversão, famílias, sociedade e poder público precisam reforçar a atenção e os cuidados nesse período.
Pesquisador em políticas públicas para infância e adolescência e presidente do ChildFund Brasil, Maurício Cunha destaca que o Carnaval amplia cenários de vulnerabilidade. Segundo ele, embora a festa represente momentos positivos, o período também concentra crescimento de violações de direitos.
Por outro lado, ambiente digital amplia ameaças silenciosas
De acordo com o especialista, os riscos não se limitam aos espaços físicos. Pelo contrário, o ambiente digital surge como uma das principais preocupações. Assim, Cunha orienta que famílias evitem publicar fotos, vídeos ou transmissões ao vivo envolvendo crianças.
“O que parece uma postagem inocente pode gerar exposição desnecessária. Além disso, essas imagens podem circular em fóruns, grupos fechados ou redes criminosas”, alerta o pesquisador. Dessa forma, a recomendação inclui desligar a geolocalização e restringir o compartilhamento de conteúdos.
Enquanto isso, dados revelam cenário preocupante
Dados do Disque 100 reforçam o alerta. Durante o Carnaval de 2024, por exemplo, mais de 26 mil denúncias de violações contra crianças e adolescentes foram registradas. Consequentemente, o volume representou crescimento expressivo em relação ao ano anterior.
Além disso, estudos recentes do ChildFund apontam que a violência também cresce no ambiente virtual. Pesquisa com mais de 8 mil adolescentes revelou que 54% dos entrevistados já sofreram algum tipo de violência sexual online.
Além disso, especialistas defendem prevenção ativa
Diante desse cenário, Cunha enfatiza que a prevenção exige ações práticas. Entre elas, portanto, destacam-se o uso de controles parentais, revisão de configurações de privacidade e limitação de interações com desconhecidos.
“Quanto maior o tempo de exposição nas redes, maiores são os riscos. Por isso, o diálogo entre pais e filhos se torna essencial”, afirma. Assim, o especialista defende acompanhamento constante e orientação ativa.
Da mesma forma, riscos também existem fora da internet
Embora o debate digital ganhe destaque, o especialista lembra que as ameaças também se manifestam no mundo offline. Grandes aglomerações, circulação intensa de pessoas e eventos de massa elevam o risco de desaparecimentos e exploração.
Além disso, o período costuma registrar aumento de situações envolvendo trabalho infantil e exploração sexual. Dessa maneira, Cunha reforça que a proteção deve ocorrer em todos os ambientes.
Portanto, responsabilidade é compartilhada
Segundo o pesquisador, a proteção de crianças e adolescentes é um dever coletivo. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), inclusive, estabelece responsabilidades para famílias, sociedade e Estado.
“Mais de 85% das violações ocorrem dentro de ambientes de confiança. Por isso, precisamos quebrar mitos e ampliar a vigilância”, destaca.
Em caso de suspeita, denúncia é fundamental
Além da prevenção, Cunha ressalta a importância das denúncias. O Disque 100 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, permitindo comunicação mesmo diante de suspeitas.
“Na dúvida, denuncie. Esse gesto pode interromper ciclos de violência e proteger vidas”, enfatiza.












