
Escritório Social da Agepen amplia reinserção de egressos e dobra atendimentos em Campo Grande (MS)
Campo Grande (MS) — Primeiramente, a reinserção social de pessoas egressas do sistema prisional segue como um desafio estrutural no Brasil. Nesse contexto, o Escritório Social, unidade assistencial da Agepen, vem se consolidando como política pública estratégica ao atuar no pós-pena, com acolhimento, orientação e articulação de oportunidades, sem caráter fiscalizatório.
Além disso, o serviço busca garantir que o egresso não retorne à invisibilidade social. Para isso, oferece atendimento humanizado, acesso a direitos básicos e apoio direto à inserção no mercado de trabalho. Como resultado, os números revelam um crescimento expressivo: em 2024, foram 1.153 atendimentos; já em 2025, o total saltou para 2.132 pessoas atendidas, evidenciando o fortalecimento da política de reinserção. Para 2026, a meta é ainda mais ambiciosa: assegurar vaga de trabalho para todos os egressos e familiares atendidos.
Apoio contínuo que gera novas oportunidades
De forma estruturada, o Escritório Social atua com uma equipe multiprofissional formada por assistentes sociais, psicólogos e técnicos. Assim, são oferecidas orientações jurídicas, encaminhamentos acompanhados às redes de saúde, educação e assistência social, bem como capacitação profissional.
Paralelamente, o serviço promove oficinas de elaboração de currículo e postura profissional, fundamentais para ampliar as chances de empregabilidade. Dessa maneira, o egresso passa a ser acompanhado não apenas no acesso aos serviços, mas também na construção de um novo projeto de vida.
Do cárcere ao empreendedorismo
Por exemplo, a história de Joanice da Guia de Jesus, 54 anos, ilustra o impacto direto da política. Após dez anos de privação de liberdade, ela enfrentou dificuldades e preconceito ao deixar o sistema prisional.
“Ser taxada como ex-presidiária fecha muitas oportunidades”, relata.
Entretanto, ao procurar o Escritório Social, iniciou um novo ciclo. Inicialmente, foi contratada para atuar na própria unidade; em seguida, concluiu o curso de Informática Básica; posteriormente, em 2025, fundou uma microempresa no ramo alimentício, voltada ao aluguel de itens de buffet e à produção de bolos.
“O Escritório Social virou meu ponto de apoio”, afirma.
“Ali percebi que não estava sozinha.”
Além disso, com apoio da equipe, Joanice conseguiu regularizar documentos pessoais e da mãe adotiva. Por fim, resume: “Encontrei a chance de ser vista como pessoa novamente”.
Emprego como ruptura do ciclo da exclusão
De maneira semelhante, a trajetória de Gustavo Henrique Fonseca Miranda, 21 anos, reforça os resultados do serviço. Em regime aberto, com uso de tornozeleira eletrônica, ele enfrentou sucessivas recusas ao buscar emprego.
“Quando viam a tornozeleira, desistiam. Eu quase voltei para o crime”, lembra.
Contudo, após ser encaminhado ao Escritório Social pelo Patronato Penitenciário, recebeu capacitação e acompanhamento. Poucos dias depois, conquistou uma vaga em um hospital de Campo Grande.
“Antes eu era visto como bandido. Hoje sou trabalhador. Isso muda tudo”, afirma.
Resultados concretos em 2025
Em termos práticos, as ações desenvolvidas ao longo de 2025 apresentaram impactos mensuráveis:
307 pessoas tiveram garantido o direito à documentação civil básica;
99 egressos concluíram o curso de Informática Básica;
Além disso, foram realizadas oficinas de currículo e postura profissional;
Da mesma forma, houve apoio jurídico e social contínuo;
Por conseguinte, foram feitas doações de roupas, calçados, cestas básicas, vale-transporte, passagens intermunicipais e interestaduais, cobertores e materiais de higiene, incluindo absorventes, fortalecendo ações de dignidade menstrual.
Visão institucional e estratégia pública
Segundo a diretora do Escritório Social, Tânia Harden, o espaço foi pensado para acolher e promover autonomia:
“Nosso objetivo é apoiar o egresso e sua família para que superem obstáculos e não retornem à invisibilidade, garantindo acesso aos direitos e condições para um novo projeto de vida”.
Da mesma forma, a diretora de Assistência Penitenciária da Agepen, Maria de Lourdes Delgado Alves, destaca o caráter estratégico do serviço:
“O atendimento é individualizado, voltado às vulnerabilidades e riscos sociais, fortalecendo vínculos de pertencimento e possibilitando novas estratégias de vida”.
Rede integrada e atuação no interior
Atualmente, o trabalho é desenvolvido em articulação com uma ampla rede de parceiros institucionais, como o Ministério do Trabalho e Emprego, fundações de trabalho, organizações da sociedade civil e órgãos municipais.
Enquanto isso, o Escritório Social mantém sede em Campo Grande, onde se concentra a maior população sob custódia da Agepen. Já no interior do Estado, o atendimento é realizado pelos Patronatos Penitenciários, que também oferecem acompanhamento social e orientações voltadas ao recomeço.












