
Mestre Liminha recebe homenagem do IPHAN por sua trajetória na Capoeira
A Capoeira ganhou mais um motivo para ser celebrada em Mato Grosso do Sul. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reconheceu oficialmente o notório saber e o engajamento de Mestre Liminha, que soma mais de 30 anos de prática, ensino e dedicação à capoeira, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil.
O título representa não apenas uma conquista individual, mas também a valorização da coletividade que mantém viva essa expressão de resistência e identidade cultural.
Quem é Mestre Liminha
Antônio Marcos Lacerda de Lima, conhecido como Mestre Liminha, é presidente do Grupo Conterrâneo Capoeira e uma das principais referências da arte em Mato Grosso do Sul.
Com mais de três décadas de dedicação, ele se consolidou como educador e defensor da preservação cultural, levando a capoeira a todas as idades — inclusive crianças a partir de dois anos.
Trajetória dedicada à Capoeira
Mestre Liminha iniciou sua jornada em 1990. Dois anos depois, integrou o Grupo Conceição da Praia do Mestre Mato Grosso, onde consolidou sua formação.
Desde então, passou a ver na capoeira não apenas uma prática física, mas uma forma de preservar a memória e a identidade afro-brasileira.
“A capoeira é mais do que uma simples arte marcial. É uma manifestação de resistência cultural, uma dança de liberdade e um jogo de identidade”, ressalta.
Brincadeira de Angola: capoeira para crianças
Em 2002, Mestre Liminha se dedicou ao ensino infantil e tornou-se embaixador em Mato Grosso do Sul da metodologia Brincadeira de Angola, criada pelo Mestre Ferradura, do Rio de Janeiro.
Esse método alia tradição e educação, equilibrando ludicidade e aprendizado. Além de ensinar movimentos da capoeira, trabalha com os gestos naturais do corpo humano desde a primeira infância.
Para o mestre, valores como cooperação, criatividade e respeito mútuo são fundamentais dentro e fora da roda.
Benefícios e impacto social
A capoeira traz ganhos físicos, como coordenação motora e resistência, mas também benefícios emocionais e sociais. Segundo Mestre Liminha, a prática fortalece a autoestima, reduz o estresse e promove o respeito coletivo.
Ele defende maior incentivo do poder público em escolas, universidades e comunidades carentes, além de mais reconhecimento aos velhos mestres, guardiões da tradição que muitas vezes enfrentam dificuldades financeiras.
“A capoeira não é apenas sobre os movimentos físicos, mas também sobre os movimentos da alma e do coração”, destaca.
Reconhecimento que fortalece a cultura brasileira
O título concedido pelo IPHAN valoriza a trajetória de Mestre Liminha e garante a continuidade de seu trabalho na difusão da capoeira. Para o mestre, a homenagem é coletiva e representa a força da tradição.
“Esse reconhecimento não é só meu. É de todos que acreditam na força da capoeira e caminham comigo nessa jornada, fortalecendo a tradição, a educação e a cultura”, afirma.
Mais do que uma conquista individual, a homenagem ressalta a importância de manter a capoeira viva como patrimônio imaterial do Brasil.












